In Treatment, um sucesso da HBO

Abril 14, 2009

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Há uma semana In Treatment voltou para sua segunda temporada na HBO, e uma vez que eu pretendo fazer comentários da série semanalmente aqui no Portal, resolvi fazer uma matéria especial apresentando a série para quem ainda não a conhece.

In Treatment é um drama que estreou em Janeiro do ano passado trazendo um formato novo ao já conhecido seriado americano, baseado em uma série israelense aclamada pela crítica especializada chamada “Betpil”. Sua história é focada em Paul Weston, um renomado terapeuta que atende seus pacientes diariamente em seu consultório – que tem um sofá ao invés do clássico divã – dentro de sua própria casa. Dessa forma, através de cinco episódios por semana – ao invés do clássico formato “um episódio por semana” –, com meia hora de duração cada, o que simula o tempo de uma sessão de terapia, acompanhamos, a cada dia, seu trabalho, seus dilemas e, principalmente, os dramas vividos por seus personagens.

A proposta de exibir cinco episódios por semana também foi justificada pois os episódios não têm, pelo menos a princípio, conexão entre um e outro, de forma que pudéssemos optar em acompanhar a terapia apenas dos personagens de que mais gostamos – apesar que é inevitável acompanhar a história de todos eles. In Treatment é irresistível.

Dessa forma passamos as nove semanas da primeira temporada acompanhando nove sessões de Laura – a paciente apaixonada por seu terapeuta –, Alex – um piloto traumatizado por uma missão que cumpriu no Iraque, Sophie – uma ginasta com problemas familiares que a levaram a uma tentativa de suicídio –, e o casal Jake e Amy, que em meio a uma crise procuram ajuda por não saberem se estão preparados para enfrentar mais uma gravidez em meio a um casamento praticamente arruinado.

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Porém, ao contrário do que se possa pensar, Paul não é o tipo de doutor que tem todas as respostas em sua manga. Quando somos apresentados ao personagem, vemos nele a imagem de um profissional experiente, porém cansado, cheio de problemas familiares, e que não consegue analisar com clareza suas próprias atitudes com relação a sua esposa e filhos. Por todos esses motivos, Paul resolve visitar, todas as sextas-feiras, uma ex-supervisora dos tempos de faculdade, Gina, com quem também precisa resolver alguns assuntos passados e receber conselhos sobre que caminho tomar para sua vida.

Com isso, vemos Paul lidando com seus difíceis pacientes durante a semana e na sexta ouvimos ele comentar coisas que não pode na frente de seus paciente para Gina, o que faz desse dia o mais especial da semana, pois é quando podemos entender um pouco mais sobre o que se passa na cabeça de Paul, e de que forma ele enxerga seus pacientes, assim como descobrir, em alguns casos, que ele se sente inseguro sobre a melhor forma de ajudá-los a superar seus problemas.

Outra presença comum entre as sessões de terapia é a de sua esposa, com quem mantém uma relação gelada, e a de seus filhos, um mistério para Paul, incapaz de entrar em suas vidas ou mesmo se importar com o que eles andam fazendo por aí. itpaulwife

Com essas histórias interessantes e ótimos diálogos, In Treatment se tornou uma das melhores estréias dramáticas do ano passado, recebendo cinco indicações no Globo de Ouro desse ano e quatro no Emmy de 2008. Porém não é apenas a história que se destaca na série. O cenário fixo, que é o consultório de Paul, e a pouca possibilidade de ação faz com que cada minuto da série seja focado em seus atores, que precisam atrair toda a atenção do público apenas com seus talentos dramáticos. E nisso a série também é um sucesso.

Paul é interpretado pelo veterano Gabriel Byrne (O homem da máscara de ferro, Stigmata), que ganhou o Globo de Ouro por Melhor Performance em Série Dramática no ano passado, muito merecidamente, por sinal. Outra atriz experiente no elenco é Dianne West (Edward mãos-de-tesoura, Ana e suas irmãs), que interpreta Gina, a supervisora de Paul, e por quem a atriz ganhou o Emmy, no ano passado, por Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática. Ver os dois em cena é simplesmente uma aula de interpretação, cada gesto, cada diálogo tornam essa série muito especial e de uma qualidade técnica excepcional. Além de Byrne e West, dois talentos se revelaram durante a temporada. Uma delas foi Melissa George, antes apenas lembrada por seu papel em Alias. Ela interpretou Laura com tanta paixão, que inspirou Shonda Rhimes a criar um papel para ela na série Grey’s Anatomy, aonde interpretou Sadie por alguns episódios. Já a outra revelação foi a jovem atriz Mia Wasikowska, que deixou In Treatment direto para os cinemas, protagonizando a versão de Tim Burton em produção de Alice no País das Maravilhas.

Ficaram curiosos, mas acham que são episódios demais para assistir de uma vez? Bem, é fato que a primeira temporada foi comprida, 43 episódios, porém a boa notícia é que a segunda temporada não tem tanta continuidade assim com relação à primeira, uma vez que todos os pacientes de Paul são novos, portanto são histórias novas. No entanto, é inevitável que algumas referências aos personagens da primeira temporada sejam feitas – até porque Paul está sendo processado justamente por causa de um deles –, o que pode eventualmente estragar algumas surpresas.

De qualquer forma, nessa temporada In Treatment está sendo exibido em dois dias da semana: dois episódios no domingo e três episódios na segunda, como uma forma de condensar a audiência do programa – o que ameaçou a série de não ser renovada para uma segunda temporada no ano passado. E, aqui no Portal, vocês poderão conferir, a cada semana, meus comentários sobre a segunda temporada, que já parece bastante promissora. Agora confiram abaixo quem são os novos pacientes do Doutor Paul nessa segunda temporada:

itmiaMia (Hope Davis)

Mia é uma advogada de 43 anos de idade, que costumava ser paciente de Paul há 20 anos atrás. Ela reencontra o terapeuta quando este precisa ser defendido contra um processo de má prática médica devido aos eventos ocorridos no final da temporada passada. Apesar de bem sucedida, Mia é uma mulher muito solitária e que detesta a sua vida. Junte a isso o remorso que ela guarda por Paul tê-la abandonado repentinamente quando ela mais precisava de ajuda, e tem-se aí uma boa história para ser explorada.

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itaprilApril (Alison Pill)

April é uma estudante de arquitetura de 23 anos de idade, extremamente independente e desconfiada das pessoas ao seu redor, que subitamente se vê com câncer e não sabe como reagir à situação e se recusa a pedir ajuda de seus conhecidos. O desafio para Paul será tentar convencer a menina a se tratar antes que seja tarde demais, além de ter que superar seu receio de ser processado novamente por deixar uma paciente praticamente morrer em sua frente sem conseguir fazer nada a respeito.

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itoliverOliver (Aaron Shaw)

Um menino de cerca de treze anos metido no meio do processo de separação de seus pais: uma mãe super-protetora e um pai ausente, ambos imaturos os bastante para querer jogar para Paul a responsabilidade de contar ao menino que irão se separar. Paul precisará trabalhar com a família inteira a respeito de “novas regras” de convivência a serem desenvolvidas para que o menino possa sofrer o menos possível com essa mudança em sua vida.


itwalterWalter (John Mahoney)

Walter é o presidente muito influente de uma empresa e em meio a sua agente lotada, procura Paul para que este resolva seu problema de insônia. Paul não consegue descobrir o que poderia estar causando a falta de sono, uma vez que o paciente recusa a se abrir, mas por fim ele descobre o motivo por tanta ansiedade: a filha de Walter está trabalhando em uma clínica de aborto em Ruanda, África.

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itginaGina (Dianne West)

Assim como na primeira temporada, Paul procura sua supervisora para receber conselhos sobre como agir com relação a seus pacientes, como resolver seus problemas pessoais e, nessa temporada, para pedir que ela testemunhe a seu favor no processo que está sofrendo pela família de um ex-paciente.

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Para fechar, segue o trailer da segunda temporada da série:


Supernatural (4.18) – The Monster at the End of this Book

Abril 14, 2009

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Só hoje é que consegui ver este episódio, daí o atraso do review. Confesso que estava a espera de mais e isso porque antes de ver o episódio, fiz a minha pesquisa habitual para saber o feedback das pessoas e o que eu via era um episódio extraordinário. Infelizmente, as minhas expectativas elevaram muito e uma ponta de desilusão tomou conta de mim. Estava à espera de um episódio digno de 9.8 no TV.com e 85% Awesome no SpoilerTV, mas nõ foi bem assim. Contudo, isso não quer dizer que ele tenha sido apenas bom, muito pelo contrário, pois foram 40 minutos muito bem construídos.

A mensagem que talvez o Kripke quer deixar com esse The Monster at the End of this Book é que Supernatural pode-se tornar uma série que não vai ser esquecida tão cedo, em que daqui a 10, 20 ou 50 anos seja ainda conhecida. Gostava de ter mesmo aquela colecção que o profeta escreveu, com um livro para cada episódio. Seria algo que ficava mesmo bem na minha estante, com outras colecções como Dan Brown, Harry Potter, José Rodrigues dos Santos, e outros clássicos juvenis (Uma Aventura, Os Cinco). Como eu adoraria ter uma prateleira com Pilot, Wendigo e tantos outros capítulos seguidos.

Houve um diálogo que eu gostei particularmente neste episódio, aquele em que o profeta pergunta se eles passaram também pelos ‘Bugs’ e o barco fantasma. Bugs foi um dos episódios mais fracos da série e foi excelente ver que a equipa de Supernatural percebe isso e ainda brinca com a situação: ‘má literatura’. Também gostei da forma de como as coisas foram conduzidas, começando por um ambiente mais leve para algo mais pesado e importante, com a chegada de Lilith à história.

Por falar nela, é bom saber que os mais terríveis demónios também têm medo de morrer e ela acha que não passa do Apocalipse. Algo que me deixou a pensar era se ela iria mesmo, caso o Sam continuasse, cumprir o acordo que prometera. Apesar de achar que não, fico a pensar no assunto. Algo que não me agradou muito foi o facto de Dean avisar a ela que se ela quisesse sobreviver, para ela fugir enquanto o arcanjo não chegava. Ora se ele fosse inteligente, não dizia nada e deixava ela ser confrontado com o Céu e, possivelmente, morta. Assim acabava-se a destruição dos selos e o Apocalipse era evitado.

Resumindo, foi um bom episódio que só não se tornou melhor para mim pelas razões apresentados no primeiro parágrafo. Agora resta esperar pelo fim de mais um pausa e disfrutar dos quatro episódio finais que prometem ser excelentes. No dia 23 de Abril (que por acaso é o meu aniversário) conheceremos um novo Winchester, algo que já vem sendo falado há algum tempo pela imprensa americana. Será que Adam é mesmo filho biológico de John e como é que se vai desenrolar? Perguntas a serem respondidas daqui a uma semana.

Nota: 9,0


Fringe (1.15) – Inner Child

Abril 14, 2009

fringeDepois de um hiatus longo, Fringe regressa. A série de J. J. Abrams tem tido um primeiro ano calmo, com episódios mais ao menos regulares, sempre na maré de cima. E depois de uma paragem para umas férias, regressa em grande. Primeiro tenho de dizer que já não me lembrava do final do último episódio de Fringe. O tempo que passou foi muito, mas para aqueles que não querem consultar, esclarece-vos já que este episódio não tem nada que provêm do último, que tratava da bomba que Olivia desarmava com a mente.

Inner Child tem de novo uma abertura extraordinária, como vem sendo habitual. Uma “criança” (entre aspas pois ficar tanto tempo fechada faz com que ela seja bem velha) é presa num local que encontrava selado há vários anos, num prédio preste a ser demolido. Começando pela descoberta da “criança”, temos logo a noção que ela é especial. Claro que o facto de ter ficado 70 anos presa é um factor precioso, mas o olhar do “rapaz” dá para entender que é diferente do resto das pessoas. Olivia também nota isso, e estabelece uma ligação com a criança, no sentido singelo que só ela sabe (é muito bem introduzida a ligação entre Olivia e a sobrinha).

Quem voltou a superfície é também um antigo caso de Olivia. “O Artista” é um serial killer que também teve um tempo de paragem, mas volta em grande para aterrorizar a vida da personagem de Anna Torv. Mas “O Artista” tem um modus operandi incomum para os homicidas que não querem ser presos. Ele divulga pelas agências que o procuram que cometerá mais uma “obra de arte”. Esta consiste em matar e após isso dar “retoques” nos corpos e construir cenários onde eles encaixem. E, após cometer uma série de homicídios, sai uns anos de circulação. A chegada de novas informações ao FBI faz com que a caça ao homem regresse.

Após nos darem a conhecer os dois caminhos por onde o episódio se ia desenrolar, os argumentistas conseguem juntar os dois casos. É interessante que a única ligação entre as duas situações seja aproveitada para viabilizar a junção dos casos. Olivia serve de fio condutor entre a “criança” e “O Artista”. O rapaz ganha uma ligação Olivia, e esta ligação permite com que ele descubra, devido às situações que passou, a localização aproximada d’“O Artista”. A partir deste momento o episódio ganha um ritmo frenético, com a “criança” a ser utilizada mais uma vez para descobrir a localização final do serial killer. Para além do ritmo, temos sempre os momentos sempre humorísticos de Walter Bishop com a ajuda do seu filho Peter, sempre com tiradas e momentos que fazem com que o episódio fique mais leve de se ver, que não seja tão maçudo (que de maçudo não tem nada).

Mas se as aberturas de Fringe são extraordinárias, os fechos não ficam atrás. O final do episódio começa a ser construído a meio, com a frase “I think we may have found another one”, proferida pelo agente da CIA. A explicação vem no final. Um dos melhores mistérios de Fringe aparece de novo. The Observer aparece e logo aparece uma luzinha que se ligou. Passo a citar o que pensei: “Ahhh. Então o rapaz é um Observador. Assim ficam algumas coisas explicadas. Fogo. É preciso ter cabeça para ir buscar uma coisa destas…”. Ficamos a conhecer mais algumas coisas do homem que aparece em todos os sítios (desde Fringe, passando pelo NASCAR, na NFL ou no American Idol) tem as características da “criança”, e é por isso que ele conhece e consegue ser omnipresente. Para além disso, podes presumir que The Observer passou por umas condições semelhantes ao “rapaz”.

Foi um excelente episódio de Fringe, com mais algumas peças para o mistério. E fica a pergunta: para onde foi a “criança”?

Nota: 9,4


House (5.20) – Simple Explanation

Abril 14, 2009

house1Primeiro tenho de pedir desculpa do atraso do review de House. As férias da Páscoa foram mais para descansar do que para ver episódios, por isso os reviews também ficaram para trás.E se estava entusiasmado para ver os episódios que ficaram pendurados, ao ver o de House fiquei desiludido. Que episódio foi este? A FOX prometeu muito mas ao ver este episódio revejo os tempos em que House andou em baixo durante a temporada. Foi um mau episódio.

Começando por Kutner. Kal Penn trocou House pela White House (como dizia o Público no outro dia) para trabalhar com Obama, e deixou a equipa de argumentistas com o problema para resolver. Solução mais fácil não haveria: “Vamos matar o homem”. Se pretendiam que fosse explosivo não o foi, se pretendiam que fosse fantástico, não o conseguiram. Surpreendente não era difícil, mas podiam ter-se despedido do indiano de outra maneira. Cai em saco roto a tentativa de entusiasmar. Primeiro porque o actor já não aparece, parecendo que isto foi feito a pressa (a entrevista dada pelos produtores não dá essa noção, afirmando eles que já tinham pensado dar umas “férias” a Kal Penn).

A cena do casal Foreman/Thirteen encontrarem o corpo, mas nunca mostrar a cara, faz-me lembrar a cena da Sarah em Prison Break. Obama necessitava tanto do actor era? Ou o dinheiro em tempo de crise é tão pouco que nem dava para ver a cara do rapaz mais uma vez? Agora que Kutner se foi vê-se que ele não é importante para a série. Nunca assentou raízes pela sala de diagnósticos, ninguém lhe conhecia a verdadeira face. Durante o episódio só foi notório que Kutner não estava presente por causa das reacções que o suicídio causou nas outras personagens. De resto não foi notória a sua falta, ficando visto que esta nova (?) equipa ainda não entrou na cabeça dos espectadores e não deixará saudades.

Para além disso foi o menos explorado das novas personagens, o que leva a equipa notar que pouco ou nada conheciam da verdadeira realidade onde vivia a personagem de Kal Penn. E foi um episódio que se desenvolveu a partir daqui. House a perguntar o que teria acontecido e o que poderia ter feito para contrariar, não conseguindo descobrir a resposta, Foreman e Thirteen ainda se juntam mais na tristeza, Taub chora a perda e sente alguma culpa pelo seu último acto (este último também é daqueles que me parece com os dias contados e que no final de temporada o despedimento (ou melhor, a demissão) é o mais certo para ele). É isso que se tira de um suicídio inesperado. Enterra-se o morto e vê-se as reacções dos vivos.

Passando ao caso da semana. Se não tivesse o suicídio como pano de fundo seria um caso interessante de se ver, agora com o suicídio perdeu muito da importância que teria. Quase não se deu por ele apesar dos momentos em que deu sinais de vida significarem algo de interessante. Um casal de doentes entra no hospital, o marido com a sentença de morte e a mulher para ser curada. Reviravolta interessante, quando se descobre que o marido sobreviverá e que a mulher morre, após ter feito uma paragem no Rio de Janeiro quando toda a gente pensava que ela estaria Havai. Foi interessante ver o marido perdoar a mulher no final mas esta parte do episódio foi menosprezada por toda a gente da equipa.

Foi um episódio para acabar com uma personagem que estava quase acabada. Do suicídio fica as reacções, que prometem ter repercussões nos próximos episódios. E façam-me um favor. Ponham um final sem música. Já é muito visto.

Nota: 7,9