Review In Treatment – Week One

Confiram abaixo as primeiras impressões causadas pelos novos pacientes do Dr. Paul Weston nessa temporada. Atenção! Os comentários abaixo contém spoilers com relação à temporada passada.

week1miaIn Treatment (2.01) – Paul – Segunda, 9:00 AM

E finalmente podemos conferir a segunda temporada de In Treatment, e mal começam os primeiros segundos do episódio e já percebemos que algo mudou: Paul está em Nova York, morando sozinho, pois se divorciou e, o pior, está enfrentando um processo do pai de Alex – seu paciente que morreu na temporada passada –, que o acusa de ter sido negligente. Gostei muito da forma como esse episódio se desenvolveu, se a princípio não sabíamos porque raios os pacientes antigos iriam sumir do nada e novos iriam surgir, agora sabemos o motivo: Paul se mudou. Porém, mesmo assim, a segunda temporada não começou como uma tabula rasa, eventos da primeira temporada foram trazidos à tona e irão se confundir com a atual temporada pelas próximas nove semanas de série – o necessário para seu caso ir ao tribunal.

Também foi bacana ver Paul sair um pouco de seu escritório e mudar de ares, assim como conhecer a advogada que irá defendê-lo durante o processo jurídico – uma ex-paciente que guardar muitos remorsos por Paul tê-la abandonado e que claramente precisa da ajuda do doutor para encontrar um rumo em sua vida. Já estou curiosa para ver como vai acontecer a dinâmica entre esses dois personagens, pois a tensão entre os dois já nesse primeiro episódio foi realmente grande, como se houvesse muito a ser explorado a partir desse reencontro dos dois. Um destaque especial também vai para Gabriel Byrne, que mais uma vez se mostrou ser um ator digno de ganhar prêmios, reparem em todos os seus gestos, seu tom de voz e em sua respiração durante todos os 24 minutos de episódio: transpira o desconforto do médico de estar ali enfrentando uma ameaça desconhecida e velhos fantasmas do passado. Excelente começo de temporada.

Nota: 8.6

week1aprilIn Treatment (2.02) – April – Terça, 12:00 PM

Um dos maiores destaques de In Treatment em sua primeira temporada foi a descoberta de Mia Wasikowska, que fazia Sophie, a adolescente que passou boa parte da temporada negando ter tentado se suicidar por diversos problemas pessoais. Também foi através da série que Melissa George foi descoberta por Shonda Rhimes, que imediatamente quis vê-la em Grey’s Anatomy fazendo Sadie, a amiga de Meredith. Pois dessa vez um dos talentos jovens da temporada é April, interpretada por Alison Pill, que apesar de ter uma lista extensa de trabalhos, até o momento não teve a oportunidade de mostrar seu talento. Porém, acredito essa incrível carga dramática que envolve a história de April – a menina descobriu estar com câncer há pouco tempo –, e as meia horas semanais dedicadas apenas a sua atuação e a sua personagem serão mais que o suficientes para a atriz se desenvolver e crescer, assim como aconteceu com Wasikowska, que agora trilha novos caminhos no cinema – ela fará Alice na versão de Tim Burton de Alice no País das Maravilhas.

Um comentário sobre esse episódio é pensar em como Paul irá se relacionar com uma paciente relutante a receber tratamento para sua doença uma vez que o próprio terapeuta enfrenta um processo nas costas justamente por não ter evitado que um de seus pacientes retomasse sua vida cotidiana, quando sabia que Alex não estava pronto para dar esse passo. E se April chegar a um estágio de seu câncer aonde não conseguirá mais tratá-lo? E se ela nunca contar a sua família até que seja tarde demais, os pais da moça poderiam processá-lo como o pai de Alex está fazendo? Acho que isso passou pela cabeça de Paul, mesmo que inconscientemente, pois nunca vimos ele ser tão enfático ao mandar diretas ordens para um paciente – e logo na primeira sessão – praticamente sufocando a menina contra a parede para que ela conte logo aos pais e vá se tratar. É óbvio que foi uma atitude meramente egoísta e defensiva de Paul – o que de certa forma é maravilhoso, porque ver um pouco mais das inseguranças e erros de Paul sempre é um processo muito interessante –, mas logo o terapeuta tentou concertar o seu erro. Mais uma vez estou curiosa para ver o que motivará a menina a voltar para uma segunda sessão depois de um final tão complicado como esse.

Nota: 8.5

week1oliverIn Treatment (2.03) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

In Treatment nunca estaria completa se não repetisse boa parte da sua fórmula da temporada passada. Assim como havia Laura, que estava apaixonada por Paul, temos Mia, que ainda não podemos dizer se também anda apaixonada por Paul – acredito que não -, mas certamente tem muitos problemas de ordem pessoal relacionados diretamente com ele. Da mesma forma, temos April, que é a Sophie da vez – apesar de ser mais velha -, ou seja, uma menina que também olha com desconfiança para Paul, assim como a jovem ginasta fazia no início da temporada passada, e que também precisa de tempo para perceber que precisa da ajuda dos outros e que não precisa lidar com todos os seus problemas sozinha. No episódio de hoje nos deparamos com outra fórmula recriada, a do casal que está prestes a se separar e precisam resolver sua relação. Se na temporada passada tínhamos um casal que ainda não estava seguro sobre o divórcio e enfrentavam uma gravidez inesperada naquele momento difícil, dessa vez somos apresentados a outro casal, estes já separados – pelo menos fisicamente –, mas que não sabem lidar com o próprio filho, perdido nessa situação complexa e delicada.

Para variar, são sempre os episódios tipo “terapia de casal” os que menos chamavam a minha atenção na série, talvez por serem justamente os casos em que há muita reclamação, muita briga e, principalmente, muita relutância, de ambas as partes, em entrarem em um acordo. Foi assim na temporada passada – em que Jake e Amy arranjavam novos motivos para brigar a cada semana –, e foi o que aconteceu nesse episódio com a mãe super-protetora e o pai desleixado que acreditaram ser Paul a solução para seus problemas, ou o homem que deveria contar ao próprio filho que ambos iriam se separar e preparar o garoto para se adaptar à novidade sozinho, quando fica mais que claro que ambos têm muitos problemas para resolver entre si antes de se quer pensarmos no pobre Oliver, um menino um pouco mimado por ambos, porém também muito adulto para sua idade – percebemos isso logo em sua primeira cena, em que decide jogar baralho com Paul, ao invés de escolher um jogo de tabuleiro qualquer. Espero que essa história fique mais interessante com o passar das semanas, não é um tema ruim, é só que dramas de casais em processo de separação realmente pouco interessantes para mim.

Nota: 8.2

week1walterIn Treatment (2.04) – Walter – Quinta, 5:00 PM

Uma coisa que vocês nunca vão se cansar de me ver falar nesses comentários sobre In Treatment é o quanto eu amo assistir essa série por causa de seus atores. Focar uma série inteira com um texto inteligente, poucos personagens e um cenário praticamente estático, que não propicia quase nenhuma ação é um desafio e tanto para todos os atores envolvidos, que precisam literalmente confiar no próprio taco para passar pelos vinte e poucos minutos de episódios de tensão, aonde todas as câmeras estarão focadas apenas neles, prestando a atenção em cada gesto ou palavra que disserem. Comento um pouco mais sobre isso pois com o quarto episódio da semana conhecemos todos os personagens dessa temporada – considerando que as sextas-feiras são dedicadas as conversas de Paul com sua supervisora, interpretada pela maravilhosa Dianne West –, e estou muito feliz com as escolhas de elenco dessa temporada. Meus destaques até o momento vão para Hope Davis, que interpreta Mia, e justamente para o experiente John Mahoney, que interpreta Walter, o paciente foco desse episódio. Ver dois atores experientes e indicados ao Globo de Ouro – Gabriel Byrne ganhou no ano passado por In Treatment e John Mahoney foi indicado duas vezes pela minissérie Frasier – contracenarem é uma oportunidade maravilhosa, e acredito que vem justamente daí a minha simpatia por Walter, um personagem frágil, porém bastante arrogante, que Paul precisa ajudar nessa temporada.

Continuando com aquelas comparações entre temporadas, percebi em Walter o perfil apresentado por Alex na temporada passada: um homem arrogante, que se acha melhor que Paul apenas por estar pagando o doutor para fazer sua mágica, é impaciente, prático, exige respostas claras e concretas para problemas dificílimos de resolver e, talvez o que una mais os personagens, ambos não conseguem, ou apenas relutam por vontade própria, se expressar abertamente sobre o que estão sentindo. Por outro lado, o que torna Walter um personagem mais interessante que Alex é essa briga interna de querer parecer forte para Paul, porém parecer estar morrendo de vontade, ou melhor, estar literalmente desesperado – sua ansiedade é reflexo disso –, para se abrir com alguém, para simplesmente afundar em um sofá, desabafar todos os seus problemas e tirar umas horas de sono. Também gostei de ver Paul ligando para a filha no início do episódio e logo depois receber um paciente que tem uma filha, e que se preocupa demais com ela. São pequenas conexões que nos aproximam, pelo menos por segundos, do que talvez esteja se passando na cabeça de Paul, o que é sempre muito bom. Uma temporada promissora.

Nota: 8.7

week1ginaIn Treatment (2.05) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Chegamos ao momento mais esperado da semana, pelo menos para mim, o dia em que Paul se encontra com Gina para falar de seus problemas da semana. É claro que o motivo que levou Paul a visitar sua ex-supervisora essa semana foi um pouco diferente – ele precisava conversar com ela sobre o depoimento que ela fará com relação ao caso “Alex” –, porém basta os dois se reunirem para que os mais diversos assuntos sejam trazidos à tona, o que, muitas vezes, faz com que Paul se sinta ofendido por saber que Gina usa as mais variadas estratégias típicas dos terapeutas para ouvir o que deseja. Aliás, essa relação cheia de farpas entre os dois sempre foi algo de que eu gostei muito na série, e particularmente nesse episódio Gina estava mais alegre, descontraída, até rindo do turrão Paul, que não sabe o que sente, ou o que quer, mas está literalmente puto com o que sua vida acabou se tornando.

O que eu mais gosto nesses episódios é poder entrar um pouco na cabeça de Paul e ouvi-lo dizer tudo o que ele não pode dizer sobre seus pacientes na frente deles. Também foi interessante vê-lo citar April justamente quando o assunto Alex tinha acabado de ser discutido, fazendo com que ele mesmo admitisse que o processo que está sofrendo pelo pai do piloto influenciou na maneira com que ele começou a tratar da menina doente. Outra novidade que eu amei ouvir foi ele pedir para fazer terapia com Gina. O que vai resultar disso? Certamente podemos esperar muitas reclamações de Paul em aceitar os métodos de Gina, porém, mais que isso, é uma excelente oportunidade de mergulharmos mais no passado de Paul, como nos assuntos referentes a sua mãe – por cuja morte ele se sente culpado e responsável –, e até mesmo Tammy, que certamente deu uma iluminada no terapeuta nos poucos minutos em que esteve em cena. Será que há espaço nessa temporada para Paul se envolver romanticamente com uma nova mulher?

Nota: 8.6

Agora para os leitores do Portal, quais personagens vocês curtiram mais? E de quais gostaram menos?

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