In Treatment – Week 4

snapshot20090607151113In Treatment (2.16) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Após uma semana em que Mia praticamente se ocupou em discutir com Paul sem ter realmente um motivo para isso – ou pelo menos sem conseguir se explicar direito a respeito -, a reencontramos completamente diferente. Com um objetivo mais claro em mente, ela tentou em vários momentos apenas parecer provocativa – lembrando até mesmo Laura em suas narrativas sexuais para provocar Paul.

Só que Paul não poderia cair duas vezes no mesmo truque – até porque Mia não parece causar a mesma impressão no médico que Laura, não é? -, com isso, ele conseguiu escapar das armadilhas e descobrir um pouco mais sobre sua paciente. Ao descobrir e revelar a Mia que ela na verdade só estava repetindo certos padrões de sua infância – como o de tentar, de algum modo, se tornar a preferida de Paul, através, no caso, de lhe contar seus segredos íntimos -, ele conseguiu finalmente estabelecer um ponto com que se apegar e explorar a fim de que sua paciente consiga resolver seus problemas.

Obviamente isso fez com que ela pensasse mais a respeito de seu comportamento, e certamente podemos esperar progressos mais interessantes dessa personagem nas próximas semanas, parece que finalmente Paul conseguiu tocar em um ponto que a fez parar para pensar em si mesma ao invés de continuar atirando acusações contra Paul a todo tempo para se desviar do foco dessas consultas que deveria ser, afinal, ela.

Nota: 8.2

snapshot20090607151210In Treament (2.17) – April – Terça, 12:00 PM

Após assistir esse episódio só me passou pela mente como é difícil ser Paul Weston. Seus pacientes nessa temporada parecem ter como objetivo apenas tirá-lo do sério. Após mais uma semana, April aparece no consultório visivelmente mais abatida e ainda relutante a buscar o tratamento para seu câncer. Ainda por cima, a garota começa a agir como se não tivesse nem um pouco doente, recebendo ligações o tempo todo no meio da consulta, marcando de pegar seu irmão após uma consulta com um médico.

Visivelmente também foi a irritação de Paul, que chegou no limite de sua paciência quando April simplesmente desmaiou no sofá de seu escritório. O que foi interpretado por April como uma tentativa ridícula de se livrar dela, era, na verdade, um ato desesperado de Paul para conseguir salvar sua paciente – justamente porque Paul tem o terrível hábito de se conectar demais com eles. E como ele nunca aprendeu a manter um certo distanciamento – apesar de que nenhum distanciamento permitiria a qualquer um ver uma pessoa morrendo diante de si sem que fizéssemos nada a respeito -, Paul assume aquilo que April esperava de si – uma espécie de figura paterna – e a leva para o hospital para começar o tratamento.

O problema, no entanto, é que ao agir assim Paul abriu uma porta no relacionamento dos dois que deveria se manter fechada. Como esperar que April conte a sua mãe que está doente se todo o apoio de que ela precisa nesse momento pode vir confortavelmente de seu terapeuta? E de que forma Paul conseguirá estabelecer novamente limites de convivência com sua paciente de forma que ela entenda que tal situação é insustentável?

Nota: 9.0

snapshot20090607151319In Treatment (2.18) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

Nessa semana tivemos uma sessão mais voltada à mãe de Oliver, Bess, que para o próprio menino – o que na verdade não é tanta surpresa assim, desde sua primeira consulta, ficou óbvio que os pais de Oliver na verdade procuram terapia para si mesmos, não em benefício de seu filho.

Até a metade do episódio, somos apresentados para uma mulher perdida, que não sabe mais qual é o seu papel dentro da sociedade, uma vez que seu casamento acabou e seu papel como mãe sempre serviu de justificativa para que ela evitasse buscar aquilo que sempre quis para si mesma na vida. O que fazer quando se percebe que no fundo tudo não passou de uma desculpa esfarrapada e que é possível ser mãe e ser Bess ao mesmo tempo? Como lidar com o fato de que sua vida tem sido um grande abandono de si mesma em prol da educação de seu filho, que mesmo com tamanha dedicação mostrou ser falha em diversos momentos?

Para Bess, a resposta é um beco sem saída e sua vontade de viajar e se distanciar de tudo isso é um procedimento natural de todos aqueles que sentem o impulso de fugir de seus problemas de alguma forma. Para Paul, porém, esse é o momento certo para ela reavaliar suas próprias escolhas e, quem sabe, recomeçar de novo, agora tendo em foco também os seus desejos pessoais, não apenas os de Luke ou de seu filho.

Por outro lado, ao vermos Oliver complexado, sofrendo para tentar se enquadrar em um padrão de comportamento que agrade seus pais e num esforço que o faça se sentir menos rejeitado na escola (me refiro a dieta maluca iniciada pelo garoto), sabemos que por mais que Bess negue ter pensado apenas em si mesma, o que tem acontecido nessa família é apenas isso: dois pais que não se amam mais, mas que também não conseguem respeitar nova vida íntima de cada um, e que não pensam, em nenhum segundo, no que suas brigas influenciam seu próprio filho, justamente por tratá-lo apenas como um objeto que precisa ser carregado de um lado para o outro pelos dois.

Oliver está de saco cheio e seu desejo de ser adotado só reflete esse desejo de ter pais com que possam contar em momentos difíceis, que sejam menos egoístas que Bess e Luke. Essa atenção, infelizmente, ele encontra em Paul, o que coloca o terapeuta em uma difícil situação de “figura paterna ideal” e, ao mesmo tempo, a última pessoa que deveria assumir tal posição na vida do garoto.

Mesmo assim é inegável que Paul sente muito mais empatia por esse garoto que por seus outros pacientes. Fazer um sanduíche para Oliver pode significar muito mais do que superficialmente pode parecer. Se dividir um café da manhã com Mia era algo que ele não cogitava, dividir a cozinha – exatamente o ambiente mais familiar que qualquer casa pode ter -, e ainda lhe preparar comida é obviamente uma quebra de barreira entre terapeuta/paciente, que irá, cedo ou tarde acarretar em uma situação mais complicada para Paul, afinal, Oliver é muito jovem para enxergá-lo como um profissional, e em seu desespero para ajudar o menino, Paul parece não fazer questão alguma de que Oliver o veja dessa maneira.

Nota: 8.8

snapshot20090607151414In Treatment (2.19) – Walter – Quinta, 5:00 PM

No episódio da semana anterior, Walter estava impaciente e não conseguia se concentrar em sua consulta pois enfrentava um imenso problema em sua empresa. Apenas uma semana depois (uma semaninha!) ele volta a visitar Paul, completamente exausto e visivelmente frustrado por ter sido demitido da empresa pela qual deu sua vida por tantos anos.

O homem que não parava de falar por um minuto chegou no consultório e permaneceu calado. E a falta de assunto –
afinal sempre sua empresa era motivo para desviar Paul de seu verdadeiro interesse: descobrir mais sobre Walter – somado à vulnerabilidade emocional de seu paciente abriu o espaço que o terapeuta precisava para refletir mais a fundo a infância conturbada de Walter.

Com isso, chegamos ao clímax do episódio, com Walter confessando que se sente culpado pela morte do irmão, afinal ele o encorajou a pular daquele penhasco, o que culminou com a sua trágica morte. Que ser humano na face da terra não se sentiria culpado por uma coisa dessas? Paul tentou insistir que ele não foi culpado por isso, mas até mesmo Paul se sente culpado pela morte de sua mãe – mesmo sabendo racionalmente que não foi. Imagino se algum dos dois conseguirá superar suas próprias culpas pessoais até o fim da temporada.

Nota: 8.7

snapshot20090607151524In Treatment (2.20) – Gina – Sexta, 3:45 PM

Mais um episódio maravilhoso dessa incrível segunda temporada. Cada vez mais tenso e decepcionado consigo mesmo, Paul tenta discutir várias coisas com Gina de maneira a tentar fugir do que realmente a terapeuta quer discutir: seu relacionamento com seu pai.

Em um determinado momento, Paul diz Gina que odeia a sua vida, e que por se sentir sozinho, acaba tentando buscar em seus pacientes o tipo de intimidade que deveria vir de sua família. Isso justificaria sua ida ao hospital com April – que o fez lembrar de uma vez com que esteve no hospital com sua própria filha -, ou mesmo de pensar em Mia como uma companheira ideal para si mesmo.

E em sua busca por aquilo que ele precisa, Gina o convenceu de que talvez tentar se reaproximar de seu pai seja uma maneira de conseguir aquilo que ele necessita, pois apenas conseguindo se reconectar com seu pai Paul poderá, de alguma forma, deixar essas questões mal resolvidas para trás e seguir em frente.

Por fim, ele acaba por ir visitar seu pai, e em seu leito de morte, não sabe nem ao menos como começar uma conversa com ele. Acaba por ler a sessão de esportes para ele – o que muitas vezes acaba sendo a única coisa que conecta um pai e um filho, o esporte -, mas acaba percebendo que aquele não é o momento para mais um contato superficial e acaba se abrindo, se desculpando e finalmente percebendo que chegou tarde demais para se entender com ele.

Nota: 9.7

0 respostas a In Treatment – Week 4

  1. João diz:

    Eu já vi a temporada toda e é muito interessante ler alguns reviews e perceber a evolução dos pacientes..

    • Pois é João, para mim falta ver a última semana ainda (achei que essa temporada teria 9 semanas, mas me enganei, tem apenas 7). Fique ligado que ainda essa semana saem novos reviews das semanas 5 e 6 da série. 😉

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