In Treatment – Week 5

snapshot20090607151639In Treatment (2.21) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Após a morte de seu pai, Paul continua sua vida normalmente, porém nada é mais o mesmo. Mas a barba por fazer e apenas o fato de usar continuamente o relógio de seu pai já mostra que essa perda não foi superada tão facilmente quanto parece.

Percebendo uma sutil diferença no comportamento de Paul e mesmo sabendo da morte de seu pai, Mia tenta usar sua sessão apenas como desculpa para ir até seu consultório e ouví-lo desabafar sobre sua perda, como se na verdade ambos fossem amigos e não paciente e terapeuta – e na verdade era o que ela sempre buscou, como quando pediu que ele a ajudasse a cumprir o papel de pai em sua própria gravidez.

Além disso, Mia parece também duvidar de que Paul realmente esteja bem, pois para ela a figura paterna é a mais importante de sua vida e apenas a ideia de perdê-lo é mais que ela pode suportar.

Porém sua tentativa de se distanciar como foco da conversa falhou, pois logo Mia anunciou a grande notícia: ela está grávida e agora precisa descobrir se está pronta para criar uma criança sozinha. Em reflexão com Paul, ela aceitou que talvez esteja tentando colocar Paul em um papel indevido. Por outro lado, ter um filho pode significar o fim de todos os seus problemas, que basicamente se resumem ao medo de acabar sozinha no mundo sem alguém que se importe realmente com ela. Resta saber se realmente um filho pode colocar fim em suas preocupações ou será apenas uma maneira superficial de encobrí-las.

Nota: 8.5

snapshot20090607151725In Treatment (2.22) – April – Terça, 12:00 PM

Muitas coisas aconteceram durante esse episódio. A princípio reencontramos April, fisicamente abatida pelo tratamento contra o câncer, mas internamente mais alegre e positiva até pensando no futuro – como quando imagina como irá pensar em Paul quando tiver a idade dele -, coisa que ela nunca mostrou fazer antes.

Apesar de ficar satisfeito em vê-la pensar dessa maneira mais otimista, Paul insiste em tentar restabelecer seu papel como terapeuta, o que não é aceito com facilidade por April. Ao acompanhá-la em sua primeira sessão de quimioterapia, Paul se colocou em uma posição que ultrapassa a relação profissional entre um paciente e seu médico e, por consequência, criou a falsa expectativa em April de que ele tomaria conta dela a partir desse momento.

Lógico que tudo isso foi interpretado da pior maneira possível por April, afinal ela contava com Paul para que sua mãe se quer precisasse ficar sabendo que ela estava doente ou mesmo para que ele contasse para ela algo que a própria garota é incapaz de fazer.

Com isso, em meio a sua revolta, April interpreta as últimas atitudes de Paul como uma tentativa de se livrar dela – reflexo de sua personalidade imutável de não querer ser um peso para as pessoas, de achar que pode lidar com tudo sozinha -, e entende que Paul não quis atendê-la na semana anterior justamente por isso.

Como medida para tentar se explicar, Paul acaba lhe falando sobre a morte de seu pai. Em consequência April fica horrorizada de que Paul consiga estar ali trabalhando depois que algo tão ruim tenha acontecido. Interessante notar como Paul não deixa que as pessoas simplesmente se sintam mal por ele, tudo é razão para que elas evitem falar de si mesmas, como um próprio reflexo de Paul em não querer discutir seu pai em frente a estranhos ou mesmo de não deixar que elas se aproximem dele da maneira que ele se aproxima delas. Um comportamento bastante curioso, certamente uma pessoa não consegue ser terapeuta de si mesma, pois nem mesmo ele consegue analisar suas próprias atitudes.

Nota: 9.0

snapshot20090607151836In Treatment (2.23) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

Não importa os problemas pelos quais o pai de Oliver passou em sua infância, se ele tinha um relacionamento difícil com seu próprio pai ou que sua família também tenha passado por uma separação, o que esse cara faz com Oliver é muito triste. Tudo o que Paul lhe disse sobre não querer assumir responsabilidade sobre o garoto é verdade, e não há desculpa em seu passado que sustente o pouco caso com que trata os problemas de seu filho. É realmente cruel ouví-lo dizer que preferia ver seu filho fingindo ser feliz para lhe agradar que mostrando sua revolta com a vida para chamar sua atenção. Só uma pessoa muito egoísta pensaria numa coisa dessas.

E com isso, infelizmente, quem sai perdendo é Oliver, que a cada consulta se sente mais culpado por coisas que estão fora de seu alcance. Se por um lado é ótimo pensar que ele encontrou Paul e tem o apoio do terapeuta para não sair muito machucado dessa infância complicada, é fato que Paul não pode passar o tempo todo ao lado de Oliver e que alguns traumas permanecerão para sempre – dar de cara com coco de cachorro em seu armário não é algo que se esquece tão facilmente -, fazendo com que, quando adulto, o menino acabe repetindo em seu papel de pai, as mesmas atitudes que seu próprio pai está repetindo com ele – sim, pois é óbvio que no fundo o pai de Oliver também só está agindo em reflexo ao conceito de pai que também conheceu na infância, e que não era nada ideal.

Será que estamos fadados a repetir os erros de nosso próprios pais? Será que mesmo tentando se distanciar de tudo o que odiamos em nossos pais, no final nossas atitudes acabam resultando exatamente em uma repetição disso tudo de que tentamos fugir? É muito pessimista pensarmos nisso, pois no fim, tem-se a impressão de que não saímos do lugar, estamos sempre a repetir os erros de alguém, mas parece ser isso que esse episódio de In Treatment tentou provar. Pelo menos vamos esperar que com a ajuda de Paul o pai de Oliver consiga escapar desse ciclo de repetições e ser, finalmente, um bom pai para o pobre garoto.

Nota: 8.5

snapshot20090607151923In Treatment (2.24) – Walter – Quinta, 6:30 PM

Primeiro: sempre é muito bacana conhecermos uma personagem que passamos várias semanas apenas imaginando como ela poderia se parecer. Além disso, conhecer Natalie acrescentou muito à trama, pois nos revelou que o quadro da “boa esposa” criada por Walter não passou de uma grande mentira, pois sua mulher vive em conflitos internos constantes em meio a álcool e clínicas de reabilitação.

De qualquer forma, chamou a atenção nesse episódio a forma como Paul foi seco com Walter. Com um olhar duro e disposto a arrancar a verdade de seu paciente – insinuando que ele realmente tinha tentado o suicídio -, Paul talvez tenha demonstrado uma grande frustração por quase ter perdido outro paciente em suas mãos. Não é difícil imaginar o que se passou em sua cabeça no fim do episódio quando descobre esse grande segredo sobre a esposa de Walter, afinal essa dúvida seria a de qualquer um em seu lugar: eu sou mesmo um bom terapeuta? A quem estou tentando enganar?

A verdade é que Paul, apesar de ter cometido erros no passado – não enxergar os sinais de Alex na temporada passada foi fatal para seu paciente e prejudicial para o próprio médico -, sabemos que ele não poderia ter agido melhor com relação a April ou mesmo em sua teimosia em manter Walter internado por mais alguns dias. Aliás, algo que sempre admirei nesse personagem é esse traço de sua personalidade que o torna uma pessoa bem cabeça quente: Paul não é de levar desaforo para casa. Se ele é capaz de aceitar quando alguns pacientes o tratam desrespeitosamente, ele sempre acaba encontrando um momento para seu contra-ataque, que nesse caso foi a de desafiar Walter – “Quer me processar? Entre na fila” – e mantê-lo sob vigilância por sua própria saúde.

Apesar dos esforços de Paul, precisamos também entender o lado de Walter. Realmente não é fácil passar a vida inteira se dedicando a uma empresa, apenas para ser apunhalado pelas costas praticamente ao final de sua vida profissional. É um golpe muito duro, certamente muito difícil de se superar. A raiva de saber que provavelmente o esforço de uma vida inteira foi em vão, que seu trabalho e dedicação no final não receberam o merecido reconhecimento das outras pessoas deve mais que doer, deve causar o tipo de raiva que pode nos fazer querer matar algum (figurativamente), ou mesmo machucarmos a nós mesmos – seja em uma forma mais branda de estress, ou mesmo chegando a extremos, como foi ocaso de Walter.

Nota: 8.7

snapshot20090607151956In Treatment (2.25) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Após uma semana praticamente focada nos problemas entre pais e filhos, chegamos finalmente ao dia em que Paul divide um pouco dos pensamentos com Gina e conosco. Desde o início da temporada vimos um Paul desorientado, incerto sobre ser ou não ou bom terapeuta, e hoje, com o quase suicídio de um de seus pacientes, o processo que está sofrendo pelo pai de outro, além da óbvia frustração por não conseguir entender e resolver seus problemas com seu próprio pai trouxe à tona novamente essa dúvida. Brilhantemente Gina lhe explica que ele como terapeuta olha a vida dos outros com um binóculo, mas que não pode olhar para a sua própria vida dessa forma.

E essa máxima se aplica não apenas a Paul, ou à profissão do psicólogo, mas a todos nós. Não é sempre mais fácil resolver e entender os problemas dos outros que os nossos próprios? E não é praticamente inevitável que procuremos a ajuda de outros para nos ajudar em momentos difíceis, nem que seja apenas para desabafar? Ao viver sozinho, estar cada vez mais distante dos filhos e com um casamento irreconciliável com a esposa, não é surpresa que Gina seja seu apoio em momentos críticos.

E que bela reflexão sobre o papel dos pais em nossas vidas não foi feito nesse episódio, não acham? Do misto de ódio e amor, construímos esse relacionamento profundo com essas pessoas, ao ponto deles sentirem a nossa presença sem a necessidade de que palavra alguma seja dita. Não tenho certeza de que Paul saiu do consultório de Gina mais reconfortado ou menos confuso do que quando entrou, mas o episódio acendeu uma reflexão maravilhosa sobre a posição de sermos, em algum momento da vida – isso para aqueles que desejam ser pais ou mães algum dia -, tanto frutos da convivência, ou falta dela, com nossos pais e também responsáveis por moldar a personalidade de outras pessoas, pequenas ainda, que mal sabem o quanto a nossa presença em suas vidas irão marcar para sempre a maneira como eles veem o mundo.

Aliás, a aparição do pai de Alex no fim do episódio marcou o encontro de dois homens confrontando dois tipos de perdas diferentes: a do filho que perde o pai (Paul) e a do pai que perde o filho (pai de Alex). Ambos tiveram problemas de relacionamento, Alex sempre se queixou de como seu pai era rígido e frio em sua educação quando criança, já Paul sofre até hoje por não conseguir entender o abandono de seu pai também quando jovem. No entanto isso não impede que ambos sintam amor por seus familiares, e raiva quando alguém supostamente lhes fez mal – sim, pois não acredito que Paul tenha culpa alguma sobre a morte de Alex -, e entre esses sentimentos tão opostos, só lhes restam a confusão: Paul não consegue decifrar a figura misteriosa de seu pai; já o pai de Alex não consegue entender o motivo do suicídio do próprio filho. Parece que há sempre um muro impossível de se atravessar.

Nota: 9.5

0 respostas a In Treatment – Week 5

  1. Que saudades já tenho de ver esta magnífica série, especialmente os episódios da April..

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