In Treatment – Week 6

snapshot20090607154935In Treatment (2.26) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Confesso que Mia não é a minha personagem favorita da temporada, mas realmente tudo o que tem acontecido em sua vida ultimamente é mesmo de ter pena. Após sua consulta na semana passada, em que anunciava estar feliz por se descobrir grávida, Mia confessa a Paul que nunca chegou a engravidar.

Para piorar seu quadro de extrema frustração – aliás todos que já perderam algo que realmente queriam sabe o tipo de sentimento que Mia enfrentou nessa semana -, Paul parece finalmente conseguir deixar claro para a paciente que seu pai não era o homem perfeito que ela sempre imaginou ou que sua mãe não é a bruxa que nunca se importou realmente com ela. Em outras palavras, o mundo de Mia caiu.

Inclusive, talvez seja até mais difícil perceber que seu passado não é exatamente como você pensava que era, do que perder uma possível projeção de futuro, no caso, a constituição de uma família com a vinda de um bebê. Finalmente em um momento tão sensível, Mia conseguiu abrir os olhos, mas ainda se recusou a enfrentar a realidade.

Desde sua primeira consulta, Paul sempre demonstrou desconfiar dessa idolatria de Mia com relação ao seu pai, porém apenas nesse momento ele conseguiu deixar claro para sua paciente o que ele realmente pensava sobre a questão. Inclusive, talvez apenas com a morte de seu próprio pai, Paul conseguiu entender a importância de se procurar entender seus próprios pais antes, como ele mesmo disse, que seja tarde demais.

No lugar de Mia, acredito que ninguém saberia muito bem o que fazer. Como passar a odiar, ou pelo menos sentir ressentimento, por alguém que aprendemos a amar? E como é possível nos reconectarmos com alguém que sempre nos pareceu distante? A resposta para essas perguntas esperamos encontrar nas próximas sessões de Mia, que parece enfim ter encontrado alguma maneira de solucionar os problemas do seu presente ao confrontar essas memórias passadas.

Nota: 8.7

snapshot20090607213240In Treatment (2.27) – April – Terça, 12:00 PM

A cada semana em In Treatment parecemos encontrar os personagens da série cada vez mais tensos. Acredito que isso faça parte do processo, pois até mesmo na temporada passada foi com o passar do tempo que as histórias avançaram. Após passar um período de reconhecimento de seus pacientes, Paul tem “armas” o bastante para conseguir compreendê-los por completo, e ajudá-los, o que, no entanto, é sempre entendido como um ataque vindo do médico, sempre contra seus pacientes.

Obviamente também não é fácil ouví-lo defender pessoas de que não gostamos ou encontrar padrões de comportamos em nossas atitudes que com certeza iremos odiar saber. Só que o que é motivo bastante para todos deixarem Paul para sempre – ou pelo menos ameaçar fazer isso -, é visto apenas como uma parte do processo para Paul. E é com paciência que ele conseguiu dobrar a raiva de April a seu favor, e conseguir acabar sua sessão em um clima bem mais ameno entre os dois.

De certa forma houve mesmo um abuso de poder de sua parte ao chamar a mãe da garota em um momento de crise, porém há de compreender que Paul não pode assumir o papel de pai de April. E não é que astutamente ele conseguiu convencer, aos pouquinhos, que ele estava certo no fim das contas? E o que dizer do excelente momento em que ele reconhece o padrão de comportamento de April com relação a sua mãe?

Agora que não há mais segredo algum entre April e sua mãe, acredito que finalmente ela possa trabalhar seus problemas de relacionamento com mais facilidade, com menos preocupações em sua mente e também menos pressão vinda de Paul, que não aguentava saber de um segredo que nem mesmo os parentes mais próximos da menina sabiam.

Nota: 8.8

snapshot20090607213334In Treatment (2.28) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

É tão bom assistir a uma série bem escrita e planejada. Após duas semanas com sessões separadas, conseguimos compreender melhor quem são os pais de Oliver e que tipo de problemas eles precisam superar em suas vidas pessoais antes de conseguirem lidar com seu próprio filho. Com isso, chegamos preparados para entender os dois lados quando Bess chega para Luke e lhe diz que irá aceitar um emprego fora do estado.

Se para Bess essa é a oportunidade de deixar de fazer coisas para si mesma com a desculpa de que Oliver a impede de fazer isso, para Luke isso não poderia ser pior: decidido a não assumir responsabilidade pelo próprio filho ou de se sacrificar a sua posição confortável nessa família por pouco tempo a favor da esposa, ele não poderia ser mais inflexível.

Cansado de ouvir esse blá-blá-blá, quando o assunto principal, Oliver, parece sempre estar em segundo plano para esses pais, Paul permanece em silêncio por vários momentos, e com o rosto transpirando indignação. Ao tentar chegar a um acordo em favor do menino, ele só consegue piorar as coisas, com os pais entrando em um acordo rápido, em menos de dez minutos, que comprometeria não apenas a vida do menino – já que se mudar para outra cidade no meio do semestre é sempre complicado -, mas também teria um reflexo em suas próprias consultas com Oliver, que se tornariam impossíveis.

Com isso, Luke e Bess colocaram Paul em uma situação delicada. Se por um lado sabe que o garoto não tem a menor condição de sair da cidade nesse momento, por outro também é incapaz de indicar uma solução quando: 1) os pais do garoto se mostram tão certos de que aquela é a melhor solução para a família; 2) quando é impossível para ele tomar conta de Oliver da maneira que, na verdade, ele sempre teve desejo de fazer.

As cenas finais evidenciaram esse sentimento. Paul demonstrou estar extremamente decepcionado consigo mesmo por não conseguir ajudar Oliver, principalmente porque sabe do que o menino precisa, mas não pode, e nem tem o direito, de assumir o papel de pai e mãe para ajudá-lo. Além disso a difícil posição em que foi colocado só fez com que Oliver perdesse sua confiança em Paul, ou seja, um episódio que botou a perder todo o progresso que havia sido conquistado nas cinco semanas anteriores.

Mais alguém notou que Oliver começou, inconscientemente, talvez, a aprender que a única maneira de ser ouvido em sua casa é gritando da mesma maneira que seus pais fazem? Definitivamente eles são uma má influência para seu filho e é uma pena ver que essas péssimas atitudes não devem mudar tão cedo.

Nota: 9.0

snapshot20090607213447In Treatment (2.29) – Walter – Quinta, 5:00 PM

Mais um episódio tenso e de revelações nessa excelente semana de In Treatment. Uma semana após sua tentativa de suicídio, Walter volta a visitar Paul em busca de uma autorização do médico que pudesse livrá-lo do “castigo” de ter que ficar preso dentro do hospital e ser tratado com condescendência por todos.

Bem, Paul não é bobo, e quando percebeu que Walter estava puxando o saco dele além da conta – afinal esse papo de tratá-lo com respeito é algo que, sabemos, nunca aconteceu -, recusou-se definitivamente a dar esse passe livre apenas para agradar seu paciente. E ele não poderia estar mais certo, pois, como muito bem apontado pelo médico, Walter não sabe mais o que fazer com seu tempo livre.

Durante toda a sua vida, abriu mão de ser realmente quem ele é para se transformar em uma espécie de super-homem, capaz de estar lá para apoiar a todos a todo momento, e incapaz de se mostrar frágil na frente dos outros – alguém notou a semelhança com April, paciente de Paul da terça-feira? Agora que sua vida desmoronou, que não mais motivo para ser o super-heroi de ninguém e, principalmente, que sua fraqueza apenas demonstrou a seus familiares que ele não é o homem perfeito que todos imaginavam, só resta para ele se reconectar com aquela parte de si mesmo que foi abafada quando criança. A parte de si mesmo que é humana e que tem medo de ar com as pessoas, tem medo de que elas, do nada, sumam de sua vida sem deixar rastro.

O choro, no final do episódio, é um misto de frustração, raiva e simples emoção por perceber que por mais que seja difícil aceitar que todo mundo é humano, e que todo mundo está suscetível a cometer erros e ser fracos em determinados momentos de nossas vidas, a verdade é que apenas essa parte fraca e medrosa de si mesmo poderá tirá-lo da atual depressão em que se encontra.

Nota: 9.2

snapshot20090607213636In Treatment (2.30) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Paul chegou ao seu limite. Após várias semanas vendo seus pacientes pouco a pouco se desmancharem em sua frente, sem que ele próprio oferecesse uma ajuda efetiva para que eles pudessem resolver suas próprias angústias, Paul aparece no escritório de Gina pronto a abrir mão de sua carreira por sentir que não está sendo útil a ninguém.

Coube a Gina colocar a cabeça de seu paciente no lugar, não sem antes discutir a plenos pulmões com ele – uma cena maravilhosa, tensa, porém também um pouco engraçada, pois ambos ali dominam as técnicas típicas dos terapeutas e sabem quando um está tentando usá-las contra o outro.

O episódio foi uma grande preparação para a última semana dessa segunda temporada. Acabamos a semana achando que não há como esses personagens se recuperarem de seus próprios martírios e frustrações, e sabemos que Paul também reconhece também esse fato, o que o deixa extremamente incomodado e decepcionado consigo mesmo como terapeuta.

No fim das contas, Paul parece ter também um pouco de April e Walter em si mesmo, como terapeuta ele espera ser sempre o super-herói de seus pacientes, aquela pessoa que conseguirá dar uma vida nova para eles, um recomeço, ou simplesmente a felicidade. Porém, como Gina alertou, isso depende muito mais dos próprios pacientes do que deles, e que o papel de um terapeuta não é o de salvar ninguém – por mais difícil que possa ser assistir algumas pessoas mergulharem em sua própria escuridão e não poder assumir o controle de suas vidas para tirá-los de lá.

Com isso, resta-nos uma semana de resoluções pela frente. Paul finalmente irá abrir seus olhos e perceber que seus pacientes só foram capazes de olhar para si mesmos com a ajuda dele? Ou realmente o que marcará o fim dessa temporada será Paul abrindo mão de sua licença médica por um pai ridículo incapaz de assumir que falhou com seu filho? É uma questão complicada, e será muito interessante prestar a atenção no comportamento de Paul durante os cinco episódios finais e tentarmos descobrir sua decisão antes mesmo que ele a comunique a Gina.

Nota: 9.8

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0 Responses to In Treatment – Week 6

  1. Foi uma semana de grandes episódios, que começou por deixar saudades mesmo antes do final chegar..

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