In Treatment – Week 7

Confiram o review da última semana dessa maravilhosa segunda temporada de In treatment, e justamente por ser essa provavelmente a última vez que veremos esses personagens, resolvi caprichar nos textos, que acabaram ficando um pouco extensos demais, e já me desculpo antecipadamente por isso.

snapshot20090622001211In Treatment (2.31) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Última semana de In Treatment, e, assim como na temporada passada, novamente encontramos alguns personagens se despedindo de Paul, ou seja, deixando a terapia por terem resolvido a maior parte de seus problemas, assim como Mia, que anunciou ser aquela sua última sessão. Mas esperem um minuto, estamos falando da mesma Mia do começo da temporada, certo? Definitivamente, e justamente por essa razão que ela decidiu se livrar da terapia – lugar onde estava começando a descobrir novas coisas sobre sua família –, por medo de acabar mais miserável do que já se sentia – agindo exatamente do mesmo jeito que sempre agiu desde o início da temporada.

Mia sempre foi uma paciente escorregadia, com medo de enfrentar de cara seus problemas, sempre procurava os motivos mais ridículos para sair do assunto e se concentrar em outros pequenos problemas superficiais, que raramente tinham realmente a ver com ela – só pensarmos todas as vezes em que ela criticou Paul por ter tido um caso com Laura, por exemplo. Dessa forma, durante toda a temporada Paul se manteve cauteloso, avançando lentamente a cada consulta até que ele tivesse a oportunidade de colocá-la frente a frente com todos os seus problemas, o que de fato acontece no último episódio, quando desmistificou a imagem de seu pai “perfeito”.

Pode não ter sido um momento excelente para tal descoberta, afinal ela tinha acabado de descobrir não estar grávida, mas certamente era a única maneira de fazê-la perceber a necessidade de que ela confronte esses assuntos indesejáveis para conseguir se encontrar nessa vida. Porém, claro que Mia não percebeu isso e passou o episódio inteiro tentando fugir do assunto principal daquela conversa – ela –, acusando Paul das mais diversas maneiras por pura bobagem.

Brilhante, no entanto, saber que Paul já conhecia todos os problemas que interferiam na vida de Mia desde o início – a justificativa por não ter falado antes sobre todas aquelas revelações sobre seu pai, seu padrão de comportamento com os homens, e até mesmo seu trabalho foi justamente porque Mia nunca deu espaço para que Paul pudesse discutir essas coisas a sério com ela. Até aquele momento ela não estava pronta para discutir isso, e agora que está, resolveu fugir.

Ao ouvir tudo aquilo, desde as excelentes observações de Paul até a infantilidade com que ela tentou seduzir Paul – o que mostra não ter aprendido quase nada desses quase dois meses de terapia –, ficou mais que óbvio que Mia ainda precisa de tempo para resolver essas questões. Era isso ou apenas deixar que sua vida siga em frente, repetindo os mesmos padrões de sempre, com a diferente de que agora ela tem consciência de todos eles, mesmo contanto com a falta de conhecimento para poder superá-los. Oras, qualquer um consegue ver a melhor escolha nessa situação, não é? E foi justamente ela que Mia escolheu: continuar terapia, e dar uma chance a mais para si mesma de mudar a sua vida.

É provável que não encontremos Mia na próxima temporada – que tenho espero muito que aconteça –, porém tenho a impressão de que tudo o que podíamos arrancar de interessante dessa personagem já nos foi dado. E, nesse quesito, mais uma vez o roteiro da série está de parabéns, mesmo por aquelas semanas em que ela simplesmente nos dava um nó na cabeça de tão confusa e perdida, pois, no fim, eles souberam focar sua história naquilo que seria mais interessante em Mia, ou seja, sua jornada de autodescoberta e não efetivamente sua busca por resolver esses problemas, que agora fica para a imaginação de cada um – se é que alguém perderia tempo com isso.

Nota: 9.4

snapshot20090622001232In Treatment (2.32) – April – Terça, 12:00 PM

É sempre chato ver personagens que aprendemos a admirar deixarem as séries que assistimos. Mas é impossível dizer que alguém terminou o último episódio de April realmente triste. Sem dúvida a evolução dessa personagem,e também da interpretação da atriz, foi a melhor coisa dessa temporada, de tal maneira que quando encontramos April pela última vez agradecendo Paul por tudo o que ele fez por ela (ou a ajudou a fazer), anunciando seu desejo de ficar boa logo e, o melhor, revelando que seu câncer está diminuindo, só conseguimos é ficar felizes por essa personagem.

Apesar disso, é válido lembrar que sua história talvez tenha sido a que teve um final mais aberto. April nunca trabalhou verdadeiramente seu problema de não conseguir confiar em outras pessoas e abrir seus problemas para elas, come exceção de Paul.

É claro que é puro mérito dela ter se tocado que realmente precisava iniciar seu tratamento contra sua doença o mais rápido possível, ou mesmo ter, depois de tanta dor e dificuldades, ainda encontrar força e esperança de um dia melhorar e voltar a sua vida normal – mesmo que não se sinta mais a mesma pessoa –, mas a grande verdade é que se Paul não tivesse pressionado a garota tantas vezes ou mesmo tomando atitudes extremas, como quando contou de uma vez para sua mãe sobre a saúde da filha –, talvez estaríamos vendo um cenário totalmente diferente nesse fim de temporada. Um cenário trágico e triste.

Tendo isso em mente, e ainda lendo o agradecimento de Sophie por ter também salvado sua vida – aliás, belo momento para ser relembrada –, Paul certamente irá repensar sua tão segura decisão de abandonar a prática médica, feita na sexta-feira, por estar vivendo um mau momento tanto pessoalmente quanto com seus pacientes – certamente muito mais difíceis de se lidar que os da temporada passada. Se salvar a vida de duas garotas e lhes dar uma ótima perspectiva de futuro não significa nada, Paul realmente precisa continuar sua terapia, pois está mais perdido que todos os seus pacientes juntos.

Nota: 9.3

snapshot20090622001323In Treatment (2.33) – Oliver – Quarta, 16:00 PM

Na última semana, vimos Paul falhar terrivelmente como terapeuta ao deixar que a situação sobre o futuro de Oliver sair de seu controle – os pais do garoto tomaram as dicas de Paul para o lado errado e precipitadamente se decidiram por fazerem o garoto mudar de cidade –, o que também acarretou na perca de confiança de Oliver em Paul, que preso ao papel do terapeuta, não poderia oferecer mais que seu próprio ouvido ao garoto.

No entanto, foi nessa semana que as coisas foram consertadas. Não que os pais de Oliver tivessem mudado de ideia, ao contrário, Bess parecia ainda mais certa de que aquilo seria o melhor para ela e para seu filho, mas pelo menos Paul teve a chance de melhorar a situação dando dicas sobre como os pais deveriam agir naquele momento em favor de Oliver, e, o principal, Paul conseguiu recuperar a confiança do garoto, resumido em uma cena linda em que ele liga para Oliver e simula uma conversa que gostaria de ter diariamente com ele sobre como foi o dia dele na nova cidade.

Uma das histórias mais revoltantes da temporada, Oliver e seus pais extremamente egoístas deixaram a série de maneira pacífica, como se todos os problemas vividos pela família tivessem sido resolvidos. Isso, a meu ver, foi uma pequena falha, pois é evidente que não será apenas em uma sessão que Luke aprenderá tudo o que precisa saber sobre ser um melhor pai, ou mesmo fará Oliver conseguir superar o preconceito que sofre na escola por estar um pouco acima do peso.

É realmente uma pena que tudo tivesse que acabar tão repentinamente, evidenciando a necessidade de que a série precisava ter as duas semanas extras que lhe foi tirada nessa temporada – a primeira teve nove semanas. Porém o final pelo menos foi o melhor possível, não deixando as coisas tão bem resolvidas, porém também não tão abertas ao ponto de nos perguntarmos o que diabos poderia ter acontecido com Oliver sem os cuidados de Paul. Pelo menos agora sabemos que mesmo à distância Paul tentará acompanhar a vida do garoto de perto, a fim de ajudá-lo a superar todos os imensos problemas que foram jogados nos ombros de alguém que no fim é apenas uma criança.

Nota: 8.9

snapshot20090622001353In Treatment (2.34) – Walter – Quinta, 17:00 PM

Fechando a história de mais um de seus personagens, In Treatment mostrou o último episódio de Walter não como uma despedida, mas como o começo de uma nova etapa em seu tratamento. É claro que Walter, sempre relutante, tentou fugir dessa opção, e quis terminar a terapia naquela sessão mesmo – afinal, o motivo que o trouxe para o tratamento no início eram suas crises de ansiedade e sua insônia, ambas doenças que não o atingem mais. Porém, como bem lembrou Paul, esses problemas não foram resolvidos durante a temporada por causa do tratamento – de fato Walter foi um dos pacientes mais relutantes em aceitar as releituras de Paul sobre os fatos de seu passado e, por isso, pouco se avançou em seu tratamento -, e sim porque Walter acabou sendo demitido de sua empresa e com isso essas doenças se foram, mas em compensação novos problemas emergiram – como a tentativa de suicídio e o vazio, por pela primeira vez em sua vida não estar em comando de nada, nem mesmo da própria vida, que saiu dos eixos após sua demissão.

Calmamente, Paul demonstrou que apesar de parecer inútil a essa altura da vida, afinal, Walter não é nenhum jovem, valia a pena explorar esse lado de sua personalidade que foi sufocado desde a infância pelo tipo de cobrança que seus pais faziam dele – e que ele mesmo fazia de si mesmo, seja por se sentir culpado pela morte do irmão, ou mesmo por querer mostrar ser o filho que eles mais desejaram ter, o filho perfeito: responsável e trabalhador. E Walter finalmente pareceu aceitar essa proposta, talvez por ter finalmente percebido que não há mais nada que possa impedi-lo de dedicar um pouco de tempo a si mesmo – algo que nunca acontecia no período em que esteve no comando da empresa em que trabalhava.

Realmente, será uma pena não estarmos com Walter no momento em que ele se reencontrar consigo mesmo, e, por outro lado, será mais um motivo de orgulho para Paul – que até o momento estava questionado sua habilidade profissional. Bem, digo isso pois acredito que seguindo a linha da temporada anterior, a próxima – se houver – também irá abandonar os personagens antigos para nos apresentar novos, mas posso estar enganada. Mas aí fica a questão: vocês gostariam de ver Walter por mais uma temporada inteira?

Nota: 8.9

snapshot20090622001422In Treatment (2.35) – Gina – Sexta, 6:11 PM

Mais morno que seu episódio anterior, Paul trouxe uma péssima notícia para os fãs das sextas-feiras – dia em que podemos vê-lo confrontar e conversar com sua supervisora Gina -, pois a sessão serviu, basicamente, para que ele anunciasse seu desejo por terminar de vez sua terapia. Será essa a última vez que veremos Gina? Sinceramente eu esparo que não, mas não nego que um formato novo para o programa seja uma excelente saída para que a série não se torne repetitiva demais.

Eu disso novo formato? Pois é, o que ficou evidente nesse season finale, que não deixou gancho algum, diga-se de passagem, foi que os roteiristas quiseram deixar a série com todas as possibilidades abertas para uma próxima temporada, sem também não dar um desfeixo para a atual temporada – caso a série não seja renovada para novos episódios. Se por um lado a despedida de Paul de Gina sinaliza que talvez essa seja a última vez em que veremos tanto Gina quanto Paul – deixando implícito que após o evento cada um seguiu seu rumo como terapeuta -, também Paul demonstrou a sua ex-supervisora seu desejo de iniciar algo diferente, sendo duas coisas propostas: dar terapia em grupo ou ele mesmo virar um supervisor de terapeutas ainda inseguros quanto aos procedimentos de sua profissão. E ambos os caminhos me parecem promissores.

Mas, independente da escolha de Paul, esse planejamento sobre o futuro só demonstra uma coisa: Paul está muito longe de deixar o campo da psicologia – algo que foi posto em dúvida no episódio anterior, quando o personagem chegou a cogitar abrir mão de sua licensa e procurar outros meios de ganhar a vida. É claro que Paul ainda está longe de resolver sua própria vida e encontrar até mesmo algo ou alguém que diminua a solidão que sente aumentar a cada dia, mas não é por isso que ele deve se considerar um péssimo terapeuta, pois tudo indica que ele consegue sempre ajudar seus pacientes – com excessão das tristes personagens Laura e Alex, que pareceram sair mais prejudicados da terapia que se não tivessem começado a fazê-la. E, se ele não se sente mais confortável em lidar diretamente e tão intimamente com seus pacientes, então que pelo menos encontre uma outra atividade relacionada à essa área para fazer, pois ainda há muito que Paul pode fazer pelas pessoas.

Porém nem tudo foram flores nesse episódio final de temporada, pois a conclusão convenientemente rápida para o processo que Paul estava sofrendo deixou muito a desejar. Quer dizer que um dos pontos dramáticos mais interessantes da história dessa temporada se resolveu com um telefonema? Parece que os roteiristas da série não conseguiram planejar muito bem esse núcleo da história, que foi logo de início deixado no segundo plano e agora resolvido tão rapidamente. Mesmo assim, esse pequeno deslize na história não apaga o brilhantismo dessa segunda temporada que conseguiu ser infinitamente melhor que a primeira, com personagens mais profundos e com histórias mais interessantes. Resta-nos esperar que a série seja renovada para uma terceira temporada, para podermos conferir Paul por mais alguns episódios acompanhando mais um novo time de personagens, e excelentes atores, que transformam esse drama em um dos mais bem produzidos da tv americana atual. E que Emmys venham para In Treatment!

Nota: 9.0

In Treatment ainda não teve nenhuma confirmação de que possa ser renovada para uma terceira temporada, e o fato de também a história de sua segunda temporada ser baseada na série israelense Be’Tipul – que terminou após sua segunda temporada – nos faz ficar um pouco mais apreensivos, pois uma renovação significaria uma busca por uma nova gama de pacientes e situações completamente inéditas, o que, até mesmo para os excelentes roteiristas de In Treatment, seria um pouco mais trabalhoso que o que tem sido feito até o momento na série. Mesmo assim não custa torcer, pois devido ao reconhecimento do valor da série através de prêmios no ano passado, In Treatment pode ter alcançado um público maior com relação à temporada passada, o que certamente será tomado em consideração pela HBO antes de tomar qualquer decisão sobre seu futuro.

0 respostas a In Treatment – Week 7

  1. Há tanto para dizer e ao mesmo tempo, tão pouco.

    Adorei os episódios da Mia e da April, como sempre, e todos os finais foram interessantes e do meu agrado..

    A possibilidade da série ser renovada deixa-me eufórico e caso houvessem novidades, como terapia de grupo ou Paul supervisionar outros terapeutas, seria super engraçado.

    • Marcia Silva diz:

      sem dúvida, Mia queme surpreendeu, eu n gosto da personagem, mas tenho q adimitir que sua história foi uma das mais legais da temporada. =D Se bem que em um grupo de histórias tão interessantes fica difícil eleger qual foi melhor.

  2. As histórias dessa vez não se fecharam como na primeira temporada. Ficaram muitas reticências… Tomara que venha nova temporada por aí, com boas novidades para quem já se acostumou com essa “terapia”.

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