Dollhouse – Um olhar sobre a série

Setembro 6, 2009

dollhouse

Falar de Dollhouse e da sua primeira temporada é um processo bastante complicado para mim, isto porque possui demasiadas nuances que é preciso focar, correndo, eu, o risco ou de deixar coisas importantes por se dizer, ou então estender-me em demasia e acabar por produzir uma opinião que se torna demasiado subjectiva e desinteressante. Mas Dollhouse precisa de ser comentada, e é preciso eu estender-me a falar dela, por isso aviso desde já que não me vou conter, mas manter-me-ei afastado de spoilers o mais possível.

Dollhouse era provavelmente uma das séries mais esperadas dos últimos anos. O nome do seu criador, Joss Whedon, sozinho, conseguia levar muita gente a roer as unhas de ansiedade. Joss Whedon era o criador de Buffy: The Vampire Slayer, uma das maiores séries de culto de sempre, e de Firefly, uma das séries Sci-Fi mais amadas da televisão. Firefly foi um fracasso de audiências na FOX. Esta recusou-se a transmitir o piloto de duas horas, trocou a ordem de exibição dos episódios e nem transmitiu o último episódio, sendo a série cancelada após 12 episódios exibidos. No entanto o DVD de Firefly vendeu muito bem, a série recebeu fortes elogios e tornou-se numa das melhores peças de Ficção Cientifica que apareceram na TV. Joss Whedon mantinha assim um nome de respeito e uma legião ansiosa pelo seu próximo projecto.

Podem adivinhar que quando Dollhouse foi apresentada o Hype, o interesse à volta da produção foi enorme. E era o regresso de Whedon à estação que o tinha maltratado, a FOX, o que admirou muita gente. Neste caso de Dollhouse não entrego a culpa toda à FOX, Joss Whedon é um ser humano, e como tal sujeita-se a falhas como qualquer outro, e neste caso Whedon falhou. Uma série não é um filme, para um filme aguentar o hype é mais fácil, porque são duas horas, as pessoas se sentirem curiosidade assistem ao filme, não têm de acompanhar de semana a semana, o dinheiro do filme fica assim ganho. Uma série para aguentar o hype é muito mais complicado, porque depois de dois ou três episódios que desiludem, as pessoas desistem da série.

eliza-dushku-dollhouse-2Whedon é um génio, mostrou já que consegue fazer um brilharete e mudar de género de projecto para projecto sem perder a sua qualidade enquanto argumentista. No entanto é a prova viva que algumas más decisões podem realmente arruinar um estatuto, podem arruinar um projecto, arruinar uma série. A estas más decisões acrescentem uma FOX que é neste momento um dos canais que pior promove as suas séries e que pior tratamento lhes dá.

Com Dollhouse Whedon errou. Os seus fãs estavam habituados a personagens marcantes, diálogos apurados, histórias intensas e um desenvolvimento de personagens muito bom. Em Dollhouse os primeiro 6 ou 7 episódios são fracos, a premissa está lá, o talento está lá e o potencial também, no entanto as fortes características de Whedon não puderam ser mostradas, isto porque no final de cada episódio se voltava ao inicio, o episódio até podia ter emoção, interesse, mas no final era como se todas as acções não tivessem consequências porque a cadeira mágica estava lá (Quem viu a série, sabe o que quero dizer). Era difícil nos unirmos às personagens, o mistério que tentaram pôr desde do início, de semana a semana perdia um bocado do interesse.

Não admirou por isso que as criticas começassem a surgir. Uns atiraram-se a Whedon, perderam a fé nele, diziam que perdera as características que faziam as suas séries únicas. Como se diz, quanto mais alto se está maior é a queda. E neste caso muitos era os que tinham as expectativas no topo e depois bateram de cara no chão. Na minha opinião dou os meus parabéns a Whedon pela capacidade que tem em mudar de género de série para série. No entanto compreendia o que os antigos fãs sentiam, a série, como referi, parecia ter tudo que era necessário, os valores de produção, o ambiente, etc, no entanto faltavam os traços de Whedon e isso era inegável. Daí apareceram as críticas ao elenco, a Eliza Dushku, a Tahmoh Penikett. A comparação de personagens com personagens de Buffy e Firefly surgiram também, dizendo-se que estas eram como imitações mal feitas.

Outros criticaram a FOX, dizendo que esta tinha voltado a fazer o mesmo que em firefly, dizendo que novamente lhe tinham estragado o episódio piloto e que davam à sexta-feira a série e não apostavam nela. Isto é verdade, mas só até certo ponto. Já vi o piloto não transmitido e não creio que a FOX tenha feito tão mal assim em não o transmitir. As cenas cruciais desse episódio aparecem em episódios mais à frente, e esse piloto não estava coerente, Joss Whedon, talvez para não fazer o mesmo que em firefly, despejou a informação toda em 45 minutos, e foi novamente cortado pela FOX. Se esse episódio tivesse vindo ao ar a primeira temporada teria sido substancialmente diferente pelo que não vou avaliar esse piloto. A série tornou-se o que é porque o primeiro episódio exibido foi o Ghost.

Como referi os primeiros 6 ou 7 episódios desiludem, creio que desilude toda a gente, é inegável. Novamente Whedon nesses episódios tentou contrariar o que levou a FOX a cancelar Firefly, e pôs episódios desconexos, em que se passava imediatamente para a acção da semana e não era dada atenção ao enredo geral, não era dado interesse às personagens. Por esta altura do sétimo episódio muita gente tinha tido já vontade de desistir, as audiências eram miseráveis, o cancelamento parecia inevitável, e parecia pouco provável que a fé em Whedon trouxesse melhorias significativas. Mas a verdade é que a série realmente melhora muito, a partir do nono episódio temos a série a começar em força, até ali tinha sido muito tempo perdido, mas a fé era recompensada e finalmente se começava a ver uma série à Joss Whedon. Podem apontar para o melhoramento da série com a entrada em cena do actor Alan Tudyk, sem dúvida uma das maiores mais-valias da série e um velho conhecido de firefly.

dollhouse-cast-promo-picOs últimos episódios têm realmente um ritmo alucinante, cheios de acção, com muitas revelações e finalmente a ver-se os acontecimentos resultarem em consequências. Começamos a ver um desenvolvimento de personagens, estas deixam de nos parecer tão planas e cliché e começam a valer por aquilo que são. Os episódios 9,10,11,12 apresentam já uma série de alto gabarito e algo que devia ser visto por muita gente.

No entanto a FOX não mostra o episódio 13, pelo menos não logo de seguida, pelo que, apesar da melhoria eram poucos os que esperavam muito mais da série do que aqueles episódios. Até que surge o episódio 13, este pode parecer um bocado desconexo dos restantes episódios, mas é uma obra de arte, e no fundo dá um rumo completamente novo à série. É daqueles episódios pelo qual vale a pena os episódios menos bons, em 49 minutos a série catapultou-se para um outro nível, e a curiosidade por uma segunda temporada atingiu o máximo que seria possível. Tudo muda nesse episódio, e, agora que começávamos a encarar as personagens num plano mais próximas a nós, todas nos surgem em situação de perigo. A gravidade do que estamos a ver pode quase ser sentida como real. Após os episódios 9,10,11 e 12 aquela situação que estamos a ver faz sentido. É um episódio sem limites, um puro exercício de prazer, em que no fim queremos mesmo ver o que irá acontecer. Perderam o medo das temáticas de ficção científica, apostaram nelas em força no fim e finalmente a série era o que deveria ter sido desde do início, uma série de Ficção Científica, não uma série de caso da semana.

Joss Whedon e a sua equipa são realmente muito bons, apesar de terem errado, conseguiram dar a volta por cima e apresentam-nos, no final, algo que realmente vale a pena de se ver. Aqueles que mantiveram a sua fé intacta, aqueles que disseram que as primeiras temporadas de Whedon são sempre mais fracas, mas depois consegue ser muito bom, viram que tinham razão. Os que tinham desistido da série precisam de dar uma nova oportunidade, acabar a temporada, ver realmente a boa televisão que Dollhouse conseguiu, no fim, ser.

Nada apaga o inicio fraco, mas o esforço da equipa de Dollhouse em tentar sair por cima e fazer da série algo de diferente e não apenas mais uma que vem e vai é de louvar e aplaudir.

Podem contar com os reviews da segunda temporada feitos por mim, e podem contar com um espírito critico que se desiludiu como outra pessoa qualquer com os primeiros episódios e não tem medo de dizer que a série não foi nada boa no início.

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Terceira temporada de Greek já em Portugal?!

Setembro 6, 2009

greek1Estava eu a navegar pelo site da ZON quando vi que hoje vai ao ar a estreia da terceira temporada de Greek, repetição do episódio que foi ao ar na quarta-feira, dia 2 de Setembro.

Trazer o episódio a Portugal com dois dias de diferença dos Estados Unidos seria uma jogada de mestre da MOV (que já trouxe ‘Dirty Sexy Money’ com muita antecedência, mas não assim tanta), mas será que isso é mesmo verdade.

Uma das coisas que me passou pela cabeça foi o seguinte: a segunda temporada de Greek foi dividida em duas partes e talvez a segunda parte esteja a ser vista como terceira temporada pela emissora portuguesa. Alguém que tenha a ZON TV Cabo pode confirmar isso? Será que a MOV conseguiu os direitos de exibição assim tão cedo?

Actualização: Segundo o nosso comentador an.drew, o episódio marcado como T3,1 corresponde ao primeiro da segunda temporada, visto que a MOV vê cada temporada como a metade de uma nos Estados Unidos, pois a primeira época foi dividida em duas partes do país de origem. Mais atenção pessoal da MOV!

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Weeds (5.13) – All About My Mom

Setembro 6, 2009

513Várias questões haviam ficado por responder para este episódio, sendo que é o último da temporada. Foi um episódio bom, variando entre momentos mortos e momentos completa e extremamente surpreendentes e até assustadores, a última cena fez-me, literalmente, ficar de boca aberta. Após Nancy ter descoberto, pela televisão, que Esteban estava a concorrer, de novo, a governador com o apoio de Pilar, esta manda-lhe uma prendinha: uma mulher para lhe dar uma massagem. O que demonstra que Pilar é realmente maquiavélica. Doug mostrou que é duma estupidez incrível, ao descair-se e contar tudo a Celia, resultando em que ela o amarrasse e prendesse no seu esconderijo. Quem, também, nunca me enganou foi a filha de Esteban, a Adelita, que por ter ficado paralisada acabou por confessar que era viciada em heroína, deixando Esteban sem saber como reagir, o que foi estranho, e acabando por ser mandada para uma clínica de reabilitação (já vai tarde…).

Andy, que é a melhor personagem da série, compra um luxuoso, espaçoso e confortável carro para Audra, pedindo-a em casamento. Se por um lado acredito que ele está realmente apaixonado, em certas ocasiões, como quando conversa com Nancy, duvido que ele já a tenha superado, o que é pena. Ver Esteban e Pilar a conversarem e convivendo, como nada de errado se passasse, na varanda, é irritante e mostra que Esteban é fraco e que se, por momentos, mostrou ser um bom homem, não o é definitivamente. Para não falar de quando proíbe Nancy de voltar a usar o seu desodorizante. É realmente muito machista, antiquado, incoerente e influenciável. Guillermo, já em liberdade, graças a Nancy, parece disposto a cumprir com a sua parte no plano, ou seja, matar Pilar, até que no final temos a revelação que ele é, mais um, empregado de Pilar e ainda tem raiva em relação a Nancy.

Celia, ainda na sua fase de fã de Nancy, decide formar uma equipa para o negócio da erva, o que foi magnífico não só por ser uma ideia engraçada e divertida, como por permitir que a série aborde o tema que foi, em tempos, o principal da história. Assim, Celia, Doug, Dean, Sanjay, Ignacio e Isobelle formam uma “brilhante” equipa, com cada um tendo a sua específica função. No fim, Nancy vai a uma festa em casa de Pilar e só pode lá permanecer durante meia-hora, mas antes de ir embora, Pilar vai falar com ela e é então que ameaça a vida de Shane e Silas, irritando profundamente Nancy, que apesar dos seus defeitos continua sendo uma mãe super-protectora (o que é um paradigma). E quando menos se espera, BAM!, Shane acerta com um taco de criquet na cabeça de Pilar, mandando-a inconsciente para a piscina e provavelmente morta.

Confesso que se a Adelita for realmente embora e a Pilar morrer, fico extremamente contente. Quem também não faz falta é Esteban. Ainda de sublinhar que é extraordinário assistir às relações inter-pessoais, sendo tanto carinhosas como bizarras. No fundo, uma série que está supostamente apenas ligada a drogas, mostra muito mais; mostra comédia, mostra drama, mostra sempre os dois lados da moeda. Quem também cresceu muito e merece parabéns é Silas, ao contrário de Shane.

Nota: 8,8


Greek (3.01) – The Day After

Setembro 6, 2009

snapshot20090905223303Para aqueles que acompanhavam meus reviews de Greek, repararam que eu tive uma intensa relação de amor e ódio durante a segunda temporada. Eis que a terceira temporada retornou mais rápido do que convencionalmente uma série retorna, aproveitando o bom embalo que a série deixou em seu final. Todos fizeram escolhas na noite anterior( At World’s End), que nitidamente terão que viver com suas consequências, porém resta a pergunta: O que fazer e como agir com tais escolhas?  Mais uma tradicional festa ocorre no campus, desta vez com o tema “Gotcha“, inspirado em personagens de filmes como O Procurado(2008), Sr. e Sra Smith(2005), Identidade Bourne(2002)  e o seriado Alias(2001). Ficou um pouco um pouco mal explorado a questão das armas, as pessoas que seriam perseguidas ou não, porém mais uma vez provou-se que a turma da Cyprus Rhode saber dar uma boa festa. Novamente repito: Greek e suas citações e homenagens. Ótimo!

Casey lida mesmo que com dificuldade com o fato de ter terminado com Max, porém pior que isto é a sensação de fossa ao levar um fora d0 Cap. Toda a cena com as garotas da casa consolando-a foi um pouco exagerado, porém senão houvesse alguma canção não seria algo ZBZ. Fico pensando como será a dinâmica da série agora com a saída da Evil Frannie, pois por mais insuportável que ela fosse, ela apimentava as coisas.  Continuando na casa, Becks mantêm um congelante mistério não revelando quem era o rapaz que a deixou “ocupada” durante a festa do fim do mundo. Reparando o tema central sobre escolhas, claramente vemos Rusty e Dale envolvidos diretamente nelas. O primeiro escolhe viver intensamente o “último dia” ao lado de sua amada, deixando para trás sua grande chance de recuperar suas notas na aula de química. O segundo escolhe reaver seus princípios, entregando-se a tentação e ao desejo. Rusty tenta desesperadamente infiltrar-se no prédio, porém este está fechado, fazendo-o encarar a falta que sua única fonte de inspiração acadêmica(Max) faz. Jordan preocupada com seu amoreco, apela para o “Big Sis Talk” , convencendo-a irmã a ajudá-lo. Gosto muito desses momentos Brothers & Sisters entre eles, além da grande química, é sempre muito divertido ver o quanto são diferentes porém se completam de forma única. Ela consegue enganar o segurança para conseguir as chaves, levando horas pra conseguir achar a correta e depois o Cap aparecendo facilmente do lado de dentro vestido de ninja.

Dale mostra ser um dos personagens que mais evoluiu ao longo das temporadas, pois agora podemos ver um lado mais vulnerável dele que cede as tentações, atingindo a “Second Base” com Sheila (tiazona da imobiliária). Interessante como ele avalia e analisa a situação, convicto que deverá assumir um compromisso sério com ela, afinal entregara aquilo que tanto guardava (eu sei, soa brega mas é a realidade dele). Quando a pediu em casamento, senti pena da humilhação que ela o fez passar depois daquilo. De volta ao laboratório, Rusty é obrigado a conviver com a atmosfera tensa entre o casal “Its now or never“. Depois de incidentes e quebras, Casey revela que foi ela que procurou Cap e não o contrário. Apesar de relutante, Cap sempre mostra seu imenso caráter em ajudar os outros, especialmente a ” It Girl” e assim, mais uma vez arranja confusão com os guardas do prédio para poder salvar os irmãos de uma encrenca maior. Frustante foi descobrir que o “It Guy” decidi ir atrás da “It Girl” mas é barrado pelo estúpido e bêbado “No Money Guy“, que coloca besteiras na cabeça dele, dizendo a velha história de que ele não é bom o suficiente e que não deveria apostar novamente em algo que não deu certo antes. Duas coisas que deixaram extremamente chateadas com este episódio: Evan parece realmente não mudar, mesmo sem dinheiro e dependendo de Becks para fazer algumas coisas, ele sempre volta ao mesmo ponto. Becks que provou ser melhor do que uma simples garota mimada que não mede esforços para ter o que quer e quem ela quer, mostra novamente suas garras, quebrando o “Girls Code” com uma pessoa que não deveria, ainda mais considerando o efeito que isso causará em Ash. Afinal como diria a a canção de Mick Jagger (Rolling Stones), “Old Habits Die Hard’‘.

Melhor momento:

– Dale e a gravação filosófica de Q. do Star Trek

Pior momento:

– Revelação do “Misterious Guy” da Becks: Fisher (WTF)

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