Lie To Me – Primeira Temporada (2009)

Setembro 12, 2009

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Truth or happiness, never both.

Mentira. Nasceu a partir do momento que o ser humano começou a comunicar. É uma das principais diferenças entre o homem e os restantes animais. Com os sinais de fumo já era possível mentir. Ao expressarmo-nos por sinais, a mentira é muito melhor escondida do que quando a pronunciamos. E cada vez mais descoberta se torna, se tivermos em frente Cal Lightman. O detector de mentiras ambulante é um leitor de micro expressões humanas, um detector sintético da falsidade. O pior pesadelo para mentirosos.

Assim se resume muito superficialmente a premissa da série. Era mais um procedural, podia-se tornar em mais um enfadonho procedural policial. Mas não. Apesar de não ser uma daquelas séries que se diz “Como ainda não se tinha pensado nisso”, Lie to Me vem noutra onda de procedurals policiais, ao estilo de que está a acontecer com os procedurals mais juntos a medicina, que se está a apostar na zona das enfermeiras. Lie to Me dá outra perspectiva dos casos. Não ficamos dentro dos laboratórios, é muito mais realizado no terreno, a procura das mentiras, das verdades e dos meio-termos. Para isso, a série apoia-se em 4 personagens: o principal e a alma e cérebro da série, Cal Lightman, Ria Torres, a aprendiz, que ainda demorará a ultrapassar o mestre, Eli Loker, um dos seres humanos mais sinceros para as pessoas, excepto o seu chefe e Gillian Foster, a companheira perpétua de Cal Lightman e sua principal base.

Com um começo um pouco atribulado, a série sofreu o problema que todas as série possuem no inicio: construção de personagens e interligação entre elas. Para além disso, e devido a série aprofundar um novo mundo, as explicações foram-se sucedendo, quebrando um pouco o ritmo do episódio. Mas, após de entrar na série, as explicações foram postas de lado. Ganhamos, nós espectadores, uma nova função: descobrir a mentira. Passamos nós próprios, não por obrigação mas por diversão, a entrar no jogo do caça o mentiroso. E assim a série subiu de nível. Era interessante ver os pormenores dos actores convidados, apanhar os truques da mentira. Assim a série ganhou mais interesse.

Com esta transformação veio outra. Como no resto das séries, após uma estruturação base das personagens, faltava conhecer a sua vida pessoal mais a fundo. Fora Eli, que não foi tão focado, o resto das personagens tiveram direito a uns tempos de antena para “falarem” da sua vida privada. Ganhou-se empatia com as personagens e a série ganhou mais uns pontos na consideração.

Para além disso, e para uma série que vinha rotulada de procedural policial, Lie to Me conquistou outros terrenos que não podem ser muito explorados por a maior parte dos procedurals acima mencionados. O leque de casos eram grande, e não vivíamos homicídio atrás de homicídio. A série ia variando e de cada vez que começava o episódio, tanto podia sair um ataque terrorista ou um acidente. Outro ponto positivo para a série.

De resto, a série encontrou um actor para protagonista perfeito. A par de Hugh Laurie, que só vemos como House (e que também poderia fazer de Lightman…não era um papel que lhe ficasse mal), como Michael C. Hall como Dexter ou Simon Baker como Patrick Jane, Tim Roth é o actor perfeito para o papel. O britânico encaixa na perfeição em Lightman, nos seus tiques, na sua personalidade. Foi outro ponto que a série ganhou interesse. Ver um actor assim construir e interpretar uma personagem complexa como Lightman é outro dos motivos que a série se tem a orgulhar.

E depois desta primeira temporada, que esperar da segunda? As esperanças mantêm-se que Lie to Me mantenha o rumo, que as histórias continuem a ser refrescantes e novas, que Tim Roth continue a ser o Cal Lightman que conhecemos e que se continue a deixar parte do episódio a “investigação” do espectador. Quanto ao resto, e isto já são pedidos, pede-se que a série entre mais na vida pessoal das personagens e que as mentiras do passado sejam descobertas. Uma aventura dentro do passado de Cal era interessante, tal como um caso que tivesse a sua filha como suspeito. Mas o que saberemos é que Lightman continua a apanhar as mentiras. É sempre mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo, diz a língua portuguesa. Lightman vem comprovar.

4e

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Hawthorne – Primeira Temporada (2009)

Setembro 11, 2009

h1Num panorama televisivo americano já recheado com um bom número de série dedicadas ao tema médico, com excelentes dramas por sinal, Hawthorne conseguiu contudo acrescentar algo. Conseguiu demonstrar o lado dos enfermeiros que vêem muitas vezes esquecido o seu papel nas séries médicas. Hawthorne consolidou-se como uma boa série para uma altura em que as novas séries e as já existentes eram escassas, conseguindo o voto de confiança da TNT para uma nova temporada. Com uma protagonista com personalidade forte, não hesitando em fazer ver os seus pontos de vista e para defender os seus ideais vai até onde for necessário. As personagens são interessantes e a química geral entre o elenco é agradável. Os dramas apresentados nem sempre conseguiram comover, mas tivemos bons dramas, boas histórias e bons desenvolvimentos nas personagens.

Bobbie, o braço direito de Hawthorne, com uma perna de aço, mas que poderia muito bem ser o braço, digna de uma força, capaz de enfrentar de cabeça erguida pacientes racistas, roubos, mas que tem um fraco assumir os seus sentimentos. Kelly, a estagiária, que como qualquer estagiária sobre pressão chega a colocar em dúvida a sua vocação, inicialmente meio trapalhona mas que nos proporcionou alguns momentos cómicos mas também comoventes. Ray e Candy é impossível separar estas duas personagens, Ray não larga Candy e esta apesar de não lhe dar corda inicialmente acaba por revelar os seus verdadeiros sentimentos na despedida. Ray que para o final da temporada ficou com o papel de bobo da corte, quer seja por andar sempre atrás da sua amada Candy, quer a meter-se em embrulhadas, proporcionando-nos algumas gargalhadas. Tom, o chefe cirurgião, que na minha opinião merecia um maior destaque, quem sabe numa segunda temporada tal seja possível, uma personagem sempre disposta a cobrir as costas de Christina. E por último temos Camille, uma filha que cria alguns problemas a Christina, mas que no fundo é uma boa pessoa apesar da rebeldia.

Foi bom verificar a continuidade da série, verificada, por exemplo, na história de Isabel e David que vai sendo contada os longo de vários episódios, nunca deixando uma ponta solta sem depois voltar com a explicação final. Outro ponto de destacar é a excelente interacção entre Christina e Tom, desde o inicio foi notório a química existente entre as duas personagens e neste final de temporada foi possível ver que uma relação futura é mais do que provável, após um ano da morte do marido está na altura de Christina seguir com a sua vida e isso ficou bem evidente nos momentos finais da temporada, esta será uma das histórias a aguardar para a nova temporada. Uma temporada com 10 episódios com um qualidade aceitável e as expectativas para a segunda temporada são boas, personagens e história a série tem, falta talvez desenvolver mais as relações entre as personagens, e por vezes deixar um pouco os casos clínicos mais para um segundo plano. É de realçar ainda que Hawthorne perdeu uma personagem interessante que juntamente com Ray nos proporcionavam bons momentos, Candy está de partida para uma missão de 6 meses, talvez volte para o fim da segunda temporada seria uma boa notícia quer para a série quer para Ray. Deu para passar bons momentos com Hawthorne.

35e


House – Quinta Temporada (2008)

Setembro 11, 2009

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The irrational part of my brain thinks like the rational part of yours.

111 episódios. House já vive na televisão há 5 anos, já faz parte da vida de grande parte dos amantes de séries há 5 anos. 5 anos é um largo período de tempo. No mundo das série é raro uma série durar tanto tempo. E House demonstrou o porquê disso. Após 111 episódios, a série não é a novidade que era no inicio. Falta novos casos, novas narrativas. Já não nos contentamos com pouco, já é preciso fazer algo diferente em todos os episódios.

Foi o principal defeito desta temporada. Habituar-nos mal. A quarta, e brilhante, temporada trouxe um ritmo novo a série. Houve mudanças, houve novas histórias para poder contar. Houve um processo de escolha que deu para encher vários episódios sem nos cansarmos. Ainda não tínhamos visto aquilo. Um House que tinha pela frente escolher uma nova equipa. Não sei quantos episódios durou, mas foram os suficientes para os casos médicos não se tornarem enfadonhos. Mas esse processo de escolha teve uma factura cara. A falta de ligação que tivemos durante parte da temporada passada com os novos personagens reflectiu-se agora. Faltava a ligação que tínhamos com o primeiro trio. Com o primeiro trio tivemos paciência, agora a que havia era pouca. E assim começou a nova temporada de House.

Esta nova temporada trazia um novo desafio. Aproveitar o que tinha restado da última e criar algo de novo. Começaram por tentar aproveitar o novo trio. Mas este ainda não tinha substituído da memória Cameron, Chase e Foreman. Começou por ai os erros. Faltava a ligação com as novas personagens. Algo que desse mais consistência a esta nova narrativa. Assim, tentaram colocar um dos antigos com uma dos recentes. Assim nasceu Forteen. A relação entre Foreman e Thirteen pouco trouxe, ou mesmo nada, de bom a série. A tentativa de colocar as novas personagens mais presentes perdeu-se. Faltou criar a ligação com o espectador. No final da temporada ela já era mais notória, mas se calhar faltaram os 4 episódios finais da 4º para cimentar esta relação. Talvez o laço com o espectador já teria sido mais forte se não tivesse ocorrido a greve dos argumentistas.

Para tornar claro esta falta de simpatia pelas personagens, é só ver que a saída de Kutner não teve nenhuma importância para a série, e se a teve foi paupérrima. Não conhecíamos a personagem, não nos tínhamos a aproximado delas. A saída dele não foi significativa para a série, nem para House que, apesar de passar um pequeno período de turbulência, não sofreu consequências de maior.

Para além disso, a nova temporada começou com outro erro. House e Wilson são compinchas. Aquela tentativa de criar alguns problemas a House no inicio de temporada foi perdida. Sabíamos, de antemão, que os argumentistas não separariam a dupla nem por nada. Eles eram das poucas coisas sólidas que a série tinha. E precisava de coisas sólidas. Perderam-se alguns episódios com esta situação que, do meu ponto de vista, não beneficiou ninguém.

Para além disso houve já ressente os seus 111 episódios nas costas. Com tantos casos médicos como o número de episódios, talvez um pouco menos, à série faltam ideias. As narrativas com os pacientes começaram só a servir de tela, de plano de fundo, não tendo nenhuma, ou poucas, consequências na vida dos personagens principais. A ligação falta. As histórias tornaram-se simples, os pacientes são cada vez mais rasos. Houve episódios em que se consegui dar a volta a isso. Mas quase toda a temporada viveu deste vírus, o problema de criar casos complexos, casos que trouxessem interesse a série. Outro problema para viver.

Mas nem tudo foi mal. Mas House só conseguiu bons episódios com ajuda, principalmente de fantasmas. Alucinações foram o pano de fundo do final da temporada, dos últimos 3/4 episódios. Só com esta muleta é que House conseguiu andar bem. Mas também deu para ver que ainda existem ideias para a série. O final foi a prova provada disto, com aquela excelente montagem e consequente twist. A série ainda pode surpreender, como também surpreendeu em, por exemplo, Locked In. O que é é que para chegar a um final deste foi preciso andar por caminho espinhoso. Esperemos que a nova temporada traga um House diferente. Se fosse pelos posters, a série estava salva.

Mas a salvação tem de traçada por outro caminho. Tem de ser traçada por um fortalecimento da relação com Cuddy. A relação tem sido adiada durante 5 temporadas, foi no final (não que me tenha importado muito, com aquele final) de novo adiada. E agora com falta de soluções para causar suspense (o casamento de Cameron), seria interessante ver como ocorreria a relação. Vamos lá ver as escolhas. O que fica certo é que House continuará com as piadas e “Everybody lies”.

35e


Fringe – Primeira Temporada (2008)

Setembro 9, 2009

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I not going to use false threats with you anymore. I don’t need. The threads are real.

Proclamada a sete ventos que seria a estreia do ano, Fringe era das séries mais esperadas a um bom par de anos. Com o nome de J.J.Abrams a encabeçar a série, a série prometia trazer o que Lost tem de melhor e adapta-la a este tipo de ciência. Claro que o nome de J.J.Abrams movimenta massas, abre logo expectativas. Mas Fringe tinha um problema logo de base para resolver: demarcar-se da X-Files. A série que já saiu a uns aninhos da televisão americana deixou um legado. Fringe tentou, primeiramente separar-se deste cordão umbilical que a estava a esganar. E logo no episódio de estreia deu para perceber que o tema de efeitos irreais para o comum humano seriam tratados de maneira diferente. E a série começou a percorrer o seu caminho.

Com um piloto promissor, a série é apresentada. Um acidente de avião é o ponto de partida para uma pintura mais extensa. E é essa extensa pintura que Olivia Dunham, agente do FBI, e a sua mini-equipa, constituída por Walter Bishop, o cientista que tem um dedo em tudo o que se aproxima deste tipo de ciência, e o seu brilhante e bem-humorado filho Peter Bishop tentarão decifrar. Um “padrão” escondido pelo melhor dos pintores, a própria humanidade. A série ganhou interesse com o piloto, mas faltavam ainda 19 episódios para percorrer.

E foi a partir dai que a série começou a cometer alguns erros. Tentando encher o que faltava da temporada, a série começou por ser um acumulado de casos. Não tenho, nem terei nada contra estes casos. Os casos foram muito bem construídos, apoiados cientificamente (ainda ninguém veio dizer que aquilo era tudo mentira) e deixava sempre água na boca, apesar de haver sempre o patinho feio, um caso que só deixava alguns bocejos. Foram poucos, mas que os houve, houve. Mas o que aconteceu a Fringe foi o erro que muitas vezes se comete. A série perdia o objectivo que era proposto. Apesar de tudo estar ligado ao “padrão” a série perdia fluidez, faltava algo que desse um sentido de continuidade aos episódios. Eram mais episódios soltos. Para além disso, o que ainda chateou mais é que este sentido de continuidade estava lá. Havia algo que ficava pendente do caso, algo por responder. Algo que ficava eternamente pendente.

fringe_s1E depois há aqueles episódios cheios de ritmo, que se têm caso é só para dizer que o houve, e que deixam antever que a série sabe o caminho certo para o sucesso. Os dois últimos episódios são o exemplo mais flagrante deste tipo de episódios. Episódios onde as perguntas não ficam no ar, mas são respondidas. O mundo de Fringe torna-se mais lúcido. E fica mais interessante ver a série. Todas, ou quase todas as perguntas que ficaram por responder durante os outros episódios são respondidos nestes dois últimos. Mas outras questões se levantam. Aí é que reside também a magia de Fringe. Apesar de as questões não costumarem ser respondidas no episódio seguinte, sabemos que teremos a resposta. Deixa-nos prisioneiros da série. A série, para além disso, apoia-se em mais alguns detalhes provenientes de J.J.Abrams. Primeiro a abertura, que a exemplo de Lost, foi criada pelo criador da série. Tanto a música de fundo como as imagens levam-nos a entra no espírito de Fringe. Para além disso, temos os simplesmente pormenores, os easter eggs que já fazem parte do mistério da série. É sempre uma procura intensa por todos os pormenores, por todas as construções de cena, por todas as falas. Uma caça.

Outra caça de Fringe cai sobre o personagem mais misterioso da série. The Observe é um autêntico quebra-cabeças. A personagem foi-se apresentando aos poucos, foi-se construindo o mistério a sua volta. Quem é The Observer? Qual é a sua função? Perguntas ainda não respondidas. O que sei é que ele tem bastante perspicácia no que toca a aparecer locais onde “o padrão” está presente. Mas não só de mistério que a série se constrói. Fringe consegue variar muito bom para o estilo humorístico, que aparece por vezes na série, apesar de ser de passagem. Para isso contribui Walter Bishop, o cientista louco que tem pedidos sempre excêntricos a fazer, interpretado por John Noble. A série ganha ainda mais interesse devido a este pequena contribuição de Bishop, algumas vezes acompanhado pelo filho, e serve sempre para quebrar a corrente.

E o que esperar desta segunda temporada? Mais uma obra-prima de J.J.Abrams, que espero que não desiluda. Pelo menos o final da primeira deixa muito em aberto. Universos paralelos é algo que, se for bem explorado, como parece que vai ser, trará excelentes momentos Fringe a série. Claro que a série deverá cair de novo no erro de construir episódios com o caso, mas se tivermos uns episódios finais como aconteceu com a primeira temporada, penso que ninguém se arrepende de ver a série. Para acabar, dar os parabéns a Anna Torv que consegui, na sua primeira aparição em grande destaque no mundo das séries, construir uma personagem consistente, emotiva e determinada. Era o que Olivia Dunham pedia, era o que a série pedia, era o que nós precisávamos.

45e


Damages – Segunda Temporada (2009)

Setembro 8, 2009

damages season 2 episode 9 s02e09Depois de uma primeira temporada excelente, Damages apresenta-nos uma segunda temporada, se calhar não tão boa como a anterior mas, ainda assim, magnífica. A primeira cena passa-se num quarto de hotel, onde Ellen, sentada em frente a alguém, dispara dois tiros. Até esta cena ser desvendada, 6 meses de história são contadas, que aos poucos explicam e mostram o que aconteceu até aquele instante.

Patty, após a vitória no caso contra Frobisher, recebe um pedido de ajuda de um ex-amigo, Daniel Purcell, um cientista, com quem chegou a ter um envolvimento amoroso. Com o assassinato da mulher de Daniel, Christine, Patty vê-se obrigada a ajudar o ex-amante, que pensa ter morto a sua esposa, quando na verdade, foi um empregado de Walter que a executou. Entretanto, Patty percebe que há uma grande conspiração, por detrás disto tudo. Começa a desconfiar da ligação entre a empresa científica de Daniel e a corporação Ultima National Resources (UNR), cujos lançamentos de resíduos tóxicos, começam a ser tornados públicos, em grande parte, devido a um jornalista, Wes, que curiosamente, frequenta o grupo de ajuda, a que Ellen pertence.

Ellen e Wes começam um envolvimento romântico, apesar de Ellen continuar presa ao seu passado e sedenta de vingança em relação a Frobisher, que supostamente matou o seu noivo, e em relação a Patty, pois pensa ter sido vítima duma tentativa de homicídio da sua parte e, assim, começa a trabalhar secretamente com o FBI, para derrubar a sua chefe. Com os dados lançados, o jogo decorre e após muitas conspirações, coincidências, ligações secretas entre personagens, mistério, drama e suspense percebe-se que Wes trabalhava para Messer, um detective, empregado de Frobisher, que havia morto David e que também controlava um agente da polícia que seguia Katie, irmã de David. No fim, Wes, após realmente apaixonar-se por Ellen, recusa matá-la, acabando por matar Messer.

Patty, Ellen e Tom, após muitas confusões conseguem que Daniel diga a verdade, acabando por mandar para a cadeia Walter Kendrick. Durante todo o tempo, Patty sabia que Ellen estava a trabalhar com o FBI e a cena inicial da temporada é, finalmente, explicada. Ellen estava a ameaçar Patty para dizer a verdade e entretanto dispara para a câmara do FBI e consegue a confissão que Patty havia mandado mata-la. Quando Patty vai no elevador é esfaqueada por Finn Garrity e depois levada para o hospital, por Wes. Um mês passa, Patty recupera em casa, Tom volta para a firma de Patty e Ellen mudou de emprego e de vida, mas Patty afirma que, em pouco tempo, Ellen voltará a entrar em contacto com eles.

Apesar de Damages ter tido uma história muito complexa e um pouco confusa, todas as questões são respondidas e devidamente explicadas. Junta-se grandes representações – como a de Glenn Close, Rose Byrne, Tate Donovan e William Hurt; grandes mistérios e um óptimo guião e, voilá, uma temporada magnífica, que apesar de alguns momentos menos bons, continua deliciosa de se assistir.


Worst Week – Primeira Temporada (2008)

Setembro 7, 2009

worst_week_xlgAzar. Já todos passamos por um dia que parece que nada corre bem. Tudo o que tocamos é partido inexplicavelmente, tudo o que fazemos é errado para os outros. Tudo o que ocorre naquele dia é mala suerte. Se um dia é desesperante para a pessoa, várias semanas são extraordinariamente hilariantes. É nisto que Worst Week ganha em relação a maior parte das comédias. Consegue fazer do impossível possível, levar a realidade ao extremo, e consequentemente, ao ridículo. Poucas ou nenhumas séries de comédia a passar na televisão americana levou a realidade tão longe, ao ponto de criar o homem mais azarado do mundo.

Sam Briggs é o nome do homem que quebrou espelhos durante toda a sua infância. As bruxas, com alguma compaixão, deram-lhe uma benesse. O azar do rapaz só ocorreria quando os seus sogros estivessem presentes, ou próximos, e estava safo do resto. O pobre Sam, sem pensar no que se ia meter, aceitou o acordo. Podia ser este o passado de Sam, mas isso não sabemos. É só uma hipótese, plausível, para a vida que vimos de Sam Brings. O que sabemos é que os sogros são a chama do azar, por vezes ajudados pelos seus pais. Para o cúmulo, Sam tem um cunhado, Chad, que é a pessoa perfeita. A sua única apoiante nesta loucura é Melanie, a mulher sempre fiel. A única ligação a normalidade. A história de humor/amor de Sam é esta. Uma história de doidos.

Devido a esta doideira, WW poderia dar-se mal. Isto deve-se porque, no fundo, todos os episódios são repetitivos. É levar o azar ao extremo, o que leva a um dilema ao espectador: Eu sei que vai ocorrer alguma coisa agora, mas o quê? E é neste “o quê” que a série ganhou o estatuto de comédia do ano. Esta parte da pergunta é que torna WW divertido. É que é a inovação da série, a renovação dela. Todas as semanas podíamos esperar por um novo episódio engraçado, com novas peripécias. Desde o excelente piloto até ao quase perfeito episódio final (e não final de temporada…não confundir) não há repetições nas situações embaraçosas de Sam, os detalhes mantêm-se, mas as situações evoluem, culminando no filho, que esperemos que não tenha sido tão azarado como o pai. Esperemos que em casa de ferreiro espeto de pau. Se não dá para fazer um remake.

E, se a uma renovação das situações, haverá mais gente interessada na série, e, consequentemente, mais audiência. E audiência costuma simbolizar comédia. Tudo isto ocorreu em WW. Mas o excedente de comédias da CBS fez com que a série fosse cancelada. Até ai Sam teve azar. Mas uma série destas, que valoriza o azar do ser humano, é eterna. O azar existirá e com ele muitos Sam’s existirão. E assim a Worst Week será imortal. Esperemos que a próxima fornada de comédias tragam algo que venha receber o legado desta.

4e


The Mentalist – Primeira Temporada (2008)

Setembro 1, 2009

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Mentalist. Someone who uses mental acuity, hypnosis and/or suggestion. A master manipulator of thoughts and behavior.

Procedurals está o mundo cheio. Chega levantar uma pedra e encontramos uma mão cheia deles. Alguns enterrados, alguns que ainda respiram. CSI e as sequelas, Bones, NCIS e agora com o novo NCIS: LA, Criminal Minds, Law & Order e os sufixos acrescentados, Cold Case e por último, a Matemática criminal de Numb3rs. Esta era a lista de Procedurals policiais que ocupava a grelha Americana (excepto, claro, NCIS:LA) no inicio na categoria de veteranos. Juntaram-se mais um par delas. Southland, Lie to Me, Castle, todas elas num estilo diferente, e The Mentalist. A grelha americana fica sobrelotada desta mina de ouro para as emissoras, de latão para os espectadores que gostam de ver uma série (leiam esta palavra de duas maneiras), e não casos. Mas, por vezes, da mina de latão saem pepitas de ouro. The Mentalist não é uma pepita de ouro, mas mais de prata.

Mas o protagonista é uma pepita de ouro (não interpretem isto mal…continuem a ler). Simon Baker é uma pepita de ouro a dois níveis. Primeiro é um actor que conseguiu encarnar a personagem no seu todo. Segundo, é uma pepita de ouro para ele próprio, devido ao ordenado que aufere. Mas isto não é para aqui chamado. O que é para aqui é chamado é Patrick Jane, o investigador, o colaborador do CBI, o escavador principal dos casos. A carreira começou a de ser vidente, mas aquilo tornou-se chato. E torna a virar investigador. O erro da vida de Patrick. A família morta por esta escolha, por Red John, o serial killer. E a vida resume-se a vingança.

A premissa é esta. A série demonstrou-se outra. Demonstrou um Simon sempre a saber encarnar a personagem, tirando a série do sério e levando para o lado mais divertido. Cada episódio é um jogo, uma charada para o espectador resolver. Qual será o pormenor que Patrick encantará para resolver o crime? A magia da série estava aí, no sorriso de Patrick em todas as situações. Mas se fosse só isto, a série cairia na ruína rapidamente. E, claro, tem de haver outras ferramentas para manter a máquina a carburar.

E é, quando a série está a cair na monotonia, que aparece o sorriso de Red John na parede. O arco da temporada, e, pelo final, da série, é o assassino da família do colaborador do CBI. O sangue em forma de smille na parede do local do assassinato é o melhor incentivo que Patrick precisa e nós também. Ele para continuar a procura, nós para continuarmos a assistir. Pois, um certo dia poderão sair na rifa um episódio de novo excelente, um episódio de novo refrescante. Um episódio Red John.

Mas não só a volta de Patrick vive a série. Sem Patrick não vive, mas mesmo assim tem alguns apontamentos de interesse. A relação entre Rigsby e Van Pelt dão para dar uns sorrisos, que ainda são maiores com a ajuda de Jane (a aura de Patrick está por todo o lado, por todo o CBI, e o seu sorriso também) e a relação de Lisbon e o protagonista. Fica de parte Kendall Cho, que poderia deixar de existir que a série não perderia qualidade.

A série não é daquelas que puxem muito pela cabeça, mas também não são necessários muitos cabelos arrancados para perceber. É simples, divertida, e vem trazer alguma frescura aos procedurals policiais já existentes. Algo para seguir na segunda temporada, nem que seja por Patrick Jane.

35e