HBO renova True Blood, Entourage e Hung

Julho 31, 2009

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Uma pessoa já não pode ir acampar por um dia que quando chega a casa perde logo as grandes novidades da televisão americana… e que novidades!

O grande sucesso da HBO desde ‘The Sopranos’ – True Blood – ganhou uma terceira temporada onde, tal como o criador Alan Ball disse, deve introduzir o mítico lobisomem. Com 3.8 milhões de telespectadores por episódio e 11.2 no total (com gravações, on demand e repetições), essa renovação era mais que esperada.

A nova comédia do canal americano – Hung – também teve a mesma sorte e vai voltar para uma segunda temporada. 3.1 milhões por episódio e 10.2 no total foi a audiência conquistada. Nem True Blood se conseguiu sair assim tão bem no seu ano de estreia.

Por fim, Entourage, que mesmo após seis anos de exibição, continua a trazer audiências muito boas para o canal (3 milhões por episódio e 7.4 no total) e é normal que tenha ganho uma sétima temporada.

O futuro de In Treatment ainda não foi decidido. Já Curb Your Enthusiasm volta com a sétima temporada em Setembro, a quarta de Big Love em Janeiro e a nova minissérie sobre a segunda guerra mundial – The Pacific – chega em Março.


In Treatment – Week 7

Junho 22, 2009

Confiram o review da última semana dessa maravilhosa segunda temporada de In treatment, e justamente por ser essa provavelmente a última vez que veremos esses personagens, resolvi caprichar nos textos, que acabaram ficando um pouco extensos demais, e já me desculpo antecipadamente por isso.

snapshot20090622001211In Treatment (2.31) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Última semana de In Treatment, e, assim como na temporada passada, novamente encontramos alguns personagens se despedindo de Paul, ou seja, deixando a terapia por terem resolvido a maior parte de seus problemas, assim como Mia, que anunciou ser aquela sua última sessão. Mas esperem um minuto, estamos falando da mesma Mia do começo da temporada, certo? Definitivamente, e justamente por essa razão que ela decidiu se livrar da terapia – lugar onde estava começando a descobrir novas coisas sobre sua família –, por medo de acabar mais miserável do que já se sentia – agindo exatamente do mesmo jeito que sempre agiu desde o início da temporada.

Mia sempre foi uma paciente escorregadia, com medo de enfrentar de cara seus problemas, sempre procurava os motivos mais ridículos para sair do assunto e se concentrar em outros pequenos problemas superficiais, que raramente tinham realmente a ver com ela – só pensarmos todas as vezes em que ela criticou Paul por ter tido um caso com Laura, por exemplo. Dessa forma, durante toda a temporada Paul se manteve cauteloso, avançando lentamente a cada consulta até que ele tivesse a oportunidade de colocá-la frente a frente com todos os seus problemas, o que de fato acontece no último episódio, quando desmistificou a imagem de seu pai “perfeito”.

Pode não ter sido um momento excelente para tal descoberta, afinal ela tinha acabado de descobrir não estar grávida, mas certamente era a única maneira de fazê-la perceber a necessidade de que ela confronte esses assuntos indesejáveis para conseguir se encontrar nessa vida. Porém, claro que Mia não percebeu isso e passou o episódio inteiro tentando fugir do assunto principal daquela conversa – ela –, acusando Paul das mais diversas maneiras por pura bobagem.

Brilhante, no entanto, saber que Paul já conhecia todos os problemas que interferiam na vida de Mia desde o início – a justificativa por não ter falado antes sobre todas aquelas revelações sobre seu pai, seu padrão de comportamento com os homens, e até mesmo seu trabalho foi justamente porque Mia nunca deu espaço para que Paul pudesse discutir essas coisas a sério com ela. Até aquele momento ela não estava pronta para discutir isso, e agora que está, resolveu fugir.

Ao ouvir tudo aquilo, desde as excelentes observações de Paul até a infantilidade com que ela tentou seduzir Paul – o que mostra não ter aprendido quase nada desses quase dois meses de terapia –, ficou mais que óbvio que Mia ainda precisa de tempo para resolver essas questões. Era isso ou apenas deixar que sua vida siga em frente, repetindo os mesmos padrões de sempre, com a diferente de que agora ela tem consciência de todos eles, mesmo contanto com a falta de conhecimento para poder superá-los. Oras, qualquer um consegue ver a melhor escolha nessa situação, não é? E foi justamente ela que Mia escolheu: continuar terapia, e dar uma chance a mais para si mesma de mudar a sua vida.

É provável que não encontremos Mia na próxima temporada – que tenho espero muito que aconteça –, porém tenho a impressão de que tudo o que podíamos arrancar de interessante dessa personagem já nos foi dado. E, nesse quesito, mais uma vez o roteiro da série está de parabéns, mesmo por aquelas semanas em que ela simplesmente nos dava um nó na cabeça de tão confusa e perdida, pois, no fim, eles souberam focar sua história naquilo que seria mais interessante em Mia, ou seja, sua jornada de autodescoberta e não efetivamente sua busca por resolver esses problemas, que agora fica para a imaginação de cada um – se é que alguém perderia tempo com isso.

Nota: 9.4

snapshot20090622001232In Treatment (2.32) – April – Terça, 12:00 PM

É sempre chato ver personagens que aprendemos a admirar deixarem as séries que assistimos. Mas é impossível dizer que alguém terminou o último episódio de April realmente triste. Sem dúvida a evolução dessa personagem,e também da interpretação da atriz, foi a melhor coisa dessa temporada, de tal maneira que quando encontramos April pela última vez agradecendo Paul por tudo o que ele fez por ela (ou a ajudou a fazer), anunciando seu desejo de ficar boa logo e, o melhor, revelando que seu câncer está diminuindo, só conseguimos é ficar felizes por essa personagem.

Apesar disso, é válido lembrar que sua história talvez tenha sido a que teve um final mais aberto. April nunca trabalhou verdadeiramente seu problema de não conseguir confiar em outras pessoas e abrir seus problemas para elas, come exceção de Paul.

É claro que é puro mérito dela ter se tocado que realmente precisava iniciar seu tratamento contra sua doença o mais rápido possível, ou mesmo ter, depois de tanta dor e dificuldades, ainda encontrar força e esperança de um dia melhorar e voltar a sua vida normal – mesmo que não se sinta mais a mesma pessoa –, mas a grande verdade é que se Paul não tivesse pressionado a garota tantas vezes ou mesmo tomando atitudes extremas, como quando contou de uma vez para sua mãe sobre a saúde da filha –, talvez estaríamos vendo um cenário totalmente diferente nesse fim de temporada. Um cenário trágico e triste.

Tendo isso em mente, e ainda lendo o agradecimento de Sophie por ter também salvado sua vida – aliás, belo momento para ser relembrada –, Paul certamente irá repensar sua tão segura decisão de abandonar a prática médica, feita na sexta-feira, por estar vivendo um mau momento tanto pessoalmente quanto com seus pacientes – certamente muito mais difíceis de se lidar que os da temporada passada. Se salvar a vida de duas garotas e lhes dar uma ótima perspectiva de futuro não significa nada, Paul realmente precisa continuar sua terapia, pois está mais perdido que todos os seus pacientes juntos.

Nota: 9.3

snapshot20090622001323In Treatment (2.33) – Oliver – Quarta, 16:00 PM

Na última semana, vimos Paul falhar terrivelmente como terapeuta ao deixar que a situação sobre o futuro de Oliver sair de seu controle – os pais do garoto tomaram as dicas de Paul para o lado errado e precipitadamente se decidiram por fazerem o garoto mudar de cidade –, o que também acarretou na perca de confiança de Oliver em Paul, que preso ao papel do terapeuta, não poderia oferecer mais que seu próprio ouvido ao garoto.

No entanto, foi nessa semana que as coisas foram consertadas. Não que os pais de Oliver tivessem mudado de ideia, ao contrário, Bess parecia ainda mais certa de que aquilo seria o melhor para ela e para seu filho, mas pelo menos Paul teve a chance de melhorar a situação dando dicas sobre como os pais deveriam agir naquele momento em favor de Oliver, e, o principal, Paul conseguiu recuperar a confiança do garoto, resumido em uma cena linda em que ele liga para Oliver e simula uma conversa que gostaria de ter diariamente com ele sobre como foi o dia dele na nova cidade.

Uma das histórias mais revoltantes da temporada, Oliver e seus pais extremamente egoístas deixaram a série de maneira pacífica, como se todos os problemas vividos pela família tivessem sido resolvidos. Isso, a meu ver, foi uma pequena falha, pois é evidente que não será apenas em uma sessão que Luke aprenderá tudo o que precisa saber sobre ser um melhor pai, ou mesmo fará Oliver conseguir superar o preconceito que sofre na escola por estar um pouco acima do peso.

É realmente uma pena que tudo tivesse que acabar tão repentinamente, evidenciando a necessidade de que a série precisava ter as duas semanas extras que lhe foi tirada nessa temporada – a primeira teve nove semanas. Porém o final pelo menos foi o melhor possível, não deixando as coisas tão bem resolvidas, porém também não tão abertas ao ponto de nos perguntarmos o que diabos poderia ter acontecido com Oliver sem os cuidados de Paul. Pelo menos agora sabemos que mesmo à distância Paul tentará acompanhar a vida do garoto de perto, a fim de ajudá-lo a superar todos os imensos problemas que foram jogados nos ombros de alguém que no fim é apenas uma criança.

Nota: 8.9

snapshot20090622001353In Treatment (2.34) – Walter – Quinta, 17:00 PM

Fechando a história de mais um de seus personagens, In Treatment mostrou o último episódio de Walter não como uma despedida, mas como o começo de uma nova etapa em seu tratamento. É claro que Walter, sempre relutante, tentou fugir dessa opção, e quis terminar a terapia naquela sessão mesmo – afinal, o motivo que o trouxe para o tratamento no início eram suas crises de ansiedade e sua insônia, ambas doenças que não o atingem mais. Porém, como bem lembrou Paul, esses problemas não foram resolvidos durante a temporada por causa do tratamento – de fato Walter foi um dos pacientes mais relutantes em aceitar as releituras de Paul sobre os fatos de seu passado e, por isso, pouco se avançou em seu tratamento -, e sim porque Walter acabou sendo demitido de sua empresa e com isso essas doenças se foram, mas em compensação novos problemas emergiram – como a tentativa de suicídio e o vazio, por pela primeira vez em sua vida não estar em comando de nada, nem mesmo da própria vida, que saiu dos eixos após sua demissão.

Calmamente, Paul demonstrou que apesar de parecer inútil a essa altura da vida, afinal, Walter não é nenhum jovem, valia a pena explorar esse lado de sua personalidade que foi sufocado desde a infância pelo tipo de cobrança que seus pais faziam dele – e que ele mesmo fazia de si mesmo, seja por se sentir culpado pela morte do irmão, ou mesmo por querer mostrar ser o filho que eles mais desejaram ter, o filho perfeito: responsável e trabalhador. E Walter finalmente pareceu aceitar essa proposta, talvez por ter finalmente percebido que não há mais nada que possa impedi-lo de dedicar um pouco de tempo a si mesmo – algo que nunca acontecia no período em que esteve no comando da empresa em que trabalhava.

Realmente, será uma pena não estarmos com Walter no momento em que ele se reencontrar consigo mesmo, e, por outro lado, será mais um motivo de orgulho para Paul – que até o momento estava questionado sua habilidade profissional. Bem, digo isso pois acredito que seguindo a linha da temporada anterior, a próxima – se houver – também irá abandonar os personagens antigos para nos apresentar novos, mas posso estar enganada. Mas aí fica a questão: vocês gostariam de ver Walter por mais uma temporada inteira?

Nota: 8.9

snapshot20090622001422In Treatment (2.35) – Gina – Sexta, 6:11 PM

Mais morno que seu episódio anterior, Paul trouxe uma péssima notícia para os fãs das sextas-feiras – dia em que podemos vê-lo confrontar e conversar com sua supervisora Gina -, pois a sessão serviu, basicamente, para que ele anunciasse seu desejo por terminar de vez sua terapia. Será essa a última vez que veremos Gina? Sinceramente eu esparo que não, mas não nego que um formato novo para o programa seja uma excelente saída para que a série não se torne repetitiva demais.

Eu disso novo formato? Pois é, o que ficou evidente nesse season finale, que não deixou gancho algum, diga-se de passagem, foi que os roteiristas quiseram deixar a série com todas as possibilidades abertas para uma próxima temporada, sem também não dar um desfeixo para a atual temporada – caso a série não seja renovada para novos episódios. Se por um lado a despedida de Paul de Gina sinaliza que talvez essa seja a última vez em que veremos tanto Gina quanto Paul – deixando implícito que após o evento cada um seguiu seu rumo como terapeuta -, também Paul demonstrou a sua ex-supervisora seu desejo de iniciar algo diferente, sendo duas coisas propostas: dar terapia em grupo ou ele mesmo virar um supervisor de terapeutas ainda inseguros quanto aos procedimentos de sua profissão. E ambos os caminhos me parecem promissores.

Mas, independente da escolha de Paul, esse planejamento sobre o futuro só demonstra uma coisa: Paul está muito longe de deixar o campo da psicologia – algo que foi posto em dúvida no episódio anterior, quando o personagem chegou a cogitar abrir mão de sua licensa e procurar outros meios de ganhar a vida. É claro que Paul ainda está longe de resolver sua própria vida e encontrar até mesmo algo ou alguém que diminua a solidão que sente aumentar a cada dia, mas não é por isso que ele deve se considerar um péssimo terapeuta, pois tudo indica que ele consegue sempre ajudar seus pacientes – com excessão das tristes personagens Laura e Alex, que pareceram sair mais prejudicados da terapia que se não tivessem começado a fazê-la. E, se ele não se sente mais confortável em lidar diretamente e tão intimamente com seus pacientes, então que pelo menos encontre uma outra atividade relacionada à essa área para fazer, pois ainda há muito que Paul pode fazer pelas pessoas.

Porém nem tudo foram flores nesse episódio final de temporada, pois a conclusão convenientemente rápida para o processo que Paul estava sofrendo deixou muito a desejar. Quer dizer que um dos pontos dramáticos mais interessantes da história dessa temporada se resolveu com um telefonema? Parece que os roteiristas da série não conseguiram planejar muito bem esse núcleo da história, que foi logo de início deixado no segundo plano e agora resolvido tão rapidamente. Mesmo assim, esse pequeno deslize na história não apaga o brilhantismo dessa segunda temporada que conseguiu ser infinitamente melhor que a primeira, com personagens mais profundos e com histórias mais interessantes. Resta-nos esperar que a série seja renovada para uma terceira temporada, para podermos conferir Paul por mais alguns episódios acompanhando mais um novo time de personagens, e excelentes atores, que transformam esse drama em um dos mais bem produzidos da tv americana atual. E que Emmys venham para In Treatment!

Nota: 9.0

In Treatment ainda não teve nenhuma confirmação de que possa ser renovada para uma terceira temporada, e o fato de também a história de sua segunda temporada ser baseada na série israelense Be’Tipul – que terminou após sua segunda temporada – nos faz ficar um pouco mais apreensivos, pois uma renovação significaria uma busca por uma nova gama de pacientes e situações completamente inéditas, o que, até mesmo para os excelentes roteiristas de In Treatment, seria um pouco mais trabalhoso que o que tem sido feito até o momento na série. Mesmo assim não custa torcer, pois devido ao reconhecimento do valor da série através de prêmios no ano passado, In Treatment pode ter alcançado um público maior com relação à temporada passada, o que certamente será tomado em consideração pela HBO antes de tomar qualquer decisão sobre seu futuro.


In Treatment – Week 6

Junho 13, 2009

snapshot20090607154935In Treatment (2.26) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Confesso que Mia não é a minha personagem favorita da temporada, mas realmente tudo o que tem acontecido em sua vida ultimamente é mesmo de ter pena. Após sua consulta na semana passada, em que anunciava estar feliz por se descobrir grávida, Mia confessa a Paul que nunca chegou a engravidar.

Para piorar seu quadro de extrema frustração – aliás todos que já perderam algo que realmente queriam sabe o tipo de sentimento que Mia enfrentou nessa semana -, Paul parece finalmente conseguir deixar claro para a paciente que seu pai não era o homem perfeito que ela sempre imaginou ou que sua mãe não é a bruxa que nunca se importou realmente com ela. Em outras palavras, o mundo de Mia caiu.

Inclusive, talvez seja até mais difícil perceber que seu passado não é exatamente como você pensava que era, do que perder uma possível projeção de futuro, no caso, a constituição de uma família com a vinda de um bebê. Finalmente em um momento tão sensível, Mia conseguiu abrir os olhos, mas ainda se recusou a enfrentar a realidade.

Desde sua primeira consulta, Paul sempre demonstrou desconfiar dessa idolatria de Mia com relação ao seu pai, porém apenas nesse momento ele conseguiu deixar claro para sua paciente o que ele realmente pensava sobre a questão. Inclusive, talvez apenas com a morte de seu próprio pai, Paul conseguiu entender a importância de se procurar entender seus próprios pais antes, como ele mesmo disse, que seja tarde demais.

No lugar de Mia, acredito que ninguém saberia muito bem o que fazer. Como passar a odiar, ou pelo menos sentir ressentimento, por alguém que aprendemos a amar? E como é possível nos reconectarmos com alguém que sempre nos pareceu distante? A resposta para essas perguntas esperamos encontrar nas próximas sessões de Mia, que parece enfim ter encontrado alguma maneira de solucionar os problemas do seu presente ao confrontar essas memórias passadas.

Nota: 8.7

snapshot20090607213240In Treatment (2.27) – April – Terça, 12:00 PM

A cada semana em In Treatment parecemos encontrar os personagens da série cada vez mais tensos. Acredito que isso faça parte do processo, pois até mesmo na temporada passada foi com o passar do tempo que as histórias avançaram. Após passar um período de reconhecimento de seus pacientes, Paul tem “armas” o bastante para conseguir compreendê-los por completo, e ajudá-los, o que, no entanto, é sempre entendido como um ataque vindo do médico, sempre contra seus pacientes.

Obviamente também não é fácil ouví-lo defender pessoas de que não gostamos ou encontrar padrões de comportamos em nossas atitudes que com certeza iremos odiar saber. Só que o que é motivo bastante para todos deixarem Paul para sempre – ou pelo menos ameaçar fazer isso -, é visto apenas como uma parte do processo para Paul. E é com paciência que ele conseguiu dobrar a raiva de April a seu favor, e conseguir acabar sua sessão em um clima bem mais ameno entre os dois.

De certa forma houve mesmo um abuso de poder de sua parte ao chamar a mãe da garota em um momento de crise, porém há de compreender que Paul não pode assumir o papel de pai de April. E não é que astutamente ele conseguiu convencer, aos pouquinhos, que ele estava certo no fim das contas? E o que dizer do excelente momento em que ele reconhece o padrão de comportamento de April com relação a sua mãe?

Agora que não há mais segredo algum entre April e sua mãe, acredito que finalmente ela possa trabalhar seus problemas de relacionamento com mais facilidade, com menos preocupações em sua mente e também menos pressão vinda de Paul, que não aguentava saber de um segredo que nem mesmo os parentes mais próximos da menina sabiam.

Nota: 8.8

snapshot20090607213334In Treatment (2.28) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

É tão bom assistir a uma série bem escrita e planejada. Após duas semanas com sessões separadas, conseguimos compreender melhor quem são os pais de Oliver e que tipo de problemas eles precisam superar em suas vidas pessoais antes de conseguirem lidar com seu próprio filho. Com isso, chegamos preparados para entender os dois lados quando Bess chega para Luke e lhe diz que irá aceitar um emprego fora do estado.

Se para Bess essa é a oportunidade de deixar de fazer coisas para si mesma com a desculpa de que Oliver a impede de fazer isso, para Luke isso não poderia ser pior: decidido a não assumir responsabilidade pelo próprio filho ou de se sacrificar a sua posição confortável nessa família por pouco tempo a favor da esposa, ele não poderia ser mais inflexível.

Cansado de ouvir esse blá-blá-blá, quando o assunto principal, Oliver, parece sempre estar em segundo plano para esses pais, Paul permanece em silêncio por vários momentos, e com o rosto transpirando indignação. Ao tentar chegar a um acordo em favor do menino, ele só consegue piorar as coisas, com os pais entrando em um acordo rápido, em menos de dez minutos, que comprometeria não apenas a vida do menino – já que se mudar para outra cidade no meio do semestre é sempre complicado -, mas também teria um reflexo em suas próprias consultas com Oliver, que se tornariam impossíveis.

Com isso, Luke e Bess colocaram Paul em uma situação delicada. Se por um lado sabe que o garoto não tem a menor condição de sair da cidade nesse momento, por outro também é incapaz de indicar uma solução quando: 1) os pais do garoto se mostram tão certos de que aquela é a melhor solução para a família; 2) quando é impossível para ele tomar conta de Oliver da maneira que, na verdade, ele sempre teve desejo de fazer.

As cenas finais evidenciaram esse sentimento. Paul demonstrou estar extremamente decepcionado consigo mesmo por não conseguir ajudar Oliver, principalmente porque sabe do que o menino precisa, mas não pode, e nem tem o direito, de assumir o papel de pai e mãe para ajudá-lo. Além disso a difícil posição em que foi colocado só fez com que Oliver perdesse sua confiança em Paul, ou seja, um episódio que botou a perder todo o progresso que havia sido conquistado nas cinco semanas anteriores.

Mais alguém notou que Oliver começou, inconscientemente, talvez, a aprender que a única maneira de ser ouvido em sua casa é gritando da mesma maneira que seus pais fazem? Definitivamente eles são uma má influência para seu filho e é uma pena ver que essas péssimas atitudes não devem mudar tão cedo.

Nota: 9.0

snapshot20090607213447In Treatment (2.29) – Walter – Quinta, 5:00 PM

Mais um episódio tenso e de revelações nessa excelente semana de In Treatment. Uma semana após sua tentativa de suicídio, Walter volta a visitar Paul em busca de uma autorização do médico que pudesse livrá-lo do “castigo” de ter que ficar preso dentro do hospital e ser tratado com condescendência por todos.

Bem, Paul não é bobo, e quando percebeu que Walter estava puxando o saco dele além da conta – afinal esse papo de tratá-lo com respeito é algo que, sabemos, nunca aconteceu -, recusou-se definitivamente a dar esse passe livre apenas para agradar seu paciente. E ele não poderia estar mais certo, pois, como muito bem apontado pelo médico, Walter não sabe mais o que fazer com seu tempo livre.

Durante toda a sua vida, abriu mão de ser realmente quem ele é para se transformar em uma espécie de super-homem, capaz de estar lá para apoiar a todos a todo momento, e incapaz de se mostrar frágil na frente dos outros – alguém notou a semelhança com April, paciente de Paul da terça-feira? Agora que sua vida desmoronou, que não mais motivo para ser o super-heroi de ninguém e, principalmente, que sua fraqueza apenas demonstrou a seus familiares que ele não é o homem perfeito que todos imaginavam, só resta para ele se reconectar com aquela parte de si mesmo que foi abafada quando criança. A parte de si mesmo que é humana e que tem medo de ar com as pessoas, tem medo de que elas, do nada, sumam de sua vida sem deixar rastro.

O choro, no final do episódio, é um misto de frustração, raiva e simples emoção por perceber que por mais que seja difícil aceitar que todo mundo é humano, e que todo mundo está suscetível a cometer erros e ser fracos em determinados momentos de nossas vidas, a verdade é que apenas essa parte fraca e medrosa de si mesmo poderá tirá-lo da atual depressão em que se encontra.

Nota: 9.2

snapshot20090607213636In Treatment (2.30) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Paul chegou ao seu limite. Após várias semanas vendo seus pacientes pouco a pouco se desmancharem em sua frente, sem que ele próprio oferecesse uma ajuda efetiva para que eles pudessem resolver suas próprias angústias, Paul aparece no escritório de Gina pronto a abrir mão de sua carreira por sentir que não está sendo útil a ninguém.

Coube a Gina colocar a cabeça de seu paciente no lugar, não sem antes discutir a plenos pulmões com ele – uma cena maravilhosa, tensa, porém também um pouco engraçada, pois ambos ali dominam as técnicas típicas dos terapeutas e sabem quando um está tentando usá-las contra o outro.

O episódio foi uma grande preparação para a última semana dessa segunda temporada. Acabamos a semana achando que não há como esses personagens se recuperarem de seus próprios martírios e frustrações, e sabemos que Paul também reconhece também esse fato, o que o deixa extremamente incomodado e decepcionado consigo mesmo como terapeuta.

No fim das contas, Paul parece ter também um pouco de April e Walter em si mesmo, como terapeuta ele espera ser sempre o super-herói de seus pacientes, aquela pessoa que conseguirá dar uma vida nova para eles, um recomeço, ou simplesmente a felicidade. Porém, como Gina alertou, isso depende muito mais dos próprios pacientes do que deles, e que o papel de um terapeuta não é o de salvar ninguém – por mais difícil que possa ser assistir algumas pessoas mergulharem em sua própria escuridão e não poder assumir o controle de suas vidas para tirá-los de lá.

Com isso, resta-nos uma semana de resoluções pela frente. Paul finalmente irá abrir seus olhos e perceber que seus pacientes só foram capazes de olhar para si mesmos com a ajuda dele? Ou realmente o que marcará o fim dessa temporada será Paul abrindo mão de sua licença médica por um pai ridículo incapaz de assumir que falhou com seu filho? É uma questão complicada, e será muito interessante prestar a atenção no comportamento de Paul durante os cinco episódios finais e tentarmos descobrir sua decisão antes mesmo que ele a comunique a Gina.

Nota: 9.8


In Treatment – Week 5

Junho 10, 2009

snapshot20090607151639In Treatment (2.21) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Após a morte de seu pai, Paul continua sua vida normalmente, porém nada é mais o mesmo. Mas a barba por fazer e apenas o fato de usar continuamente o relógio de seu pai já mostra que essa perda não foi superada tão facilmente quanto parece.

Percebendo uma sutil diferença no comportamento de Paul e mesmo sabendo da morte de seu pai, Mia tenta usar sua sessão apenas como desculpa para ir até seu consultório e ouví-lo desabafar sobre sua perda, como se na verdade ambos fossem amigos e não paciente e terapeuta – e na verdade era o que ela sempre buscou, como quando pediu que ele a ajudasse a cumprir o papel de pai em sua própria gravidez.

Além disso, Mia parece também duvidar de que Paul realmente esteja bem, pois para ela a figura paterna é a mais importante de sua vida e apenas a ideia de perdê-lo é mais que ela pode suportar.

Porém sua tentativa de se distanciar como foco da conversa falhou, pois logo Mia anunciou a grande notícia: ela está grávida e agora precisa descobrir se está pronta para criar uma criança sozinha. Em reflexão com Paul, ela aceitou que talvez esteja tentando colocar Paul em um papel indevido. Por outro lado, ter um filho pode significar o fim de todos os seus problemas, que basicamente se resumem ao medo de acabar sozinha no mundo sem alguém que se importe realmente com ela. Resta saber se realmente um filho pode colocar fim em suas preocupações ou será apenas uma maneira superficial de encobrí-las.

Nota: 8.5

snapshot20090607151725In Treatment (2.22) – April – Terça, 12:00 PM

Muitas coisas aconteceram durante esse episódio. A princípio reencontramos April, fisicamente abatida pelo tratamento contra o câncer, mas internamente mais alegre e positiva até pensando no futuro – como quando imagina como irá pensar em Paul quando tiver a idade dele -, coisa que ela nunca mostrou fazer antes.

Apesar de ficar satisfeito em vê-la pensar dessa maneira mais otimista, Paul insiste em tentar restabelecer seu papel como terapeuta, o que não é aceito com facilidade por April. Ao acompanhá-la em sua primeira sessão de quimioterapia, Paul se colocou em uma posição que ultrapassa a relação profissional entre um paciente e seu médico e, por consequência, criou a falsa expectativa em April de que ele tomaria conta dela a partir desse momento.

Lógico que tudo isso foi interpretado da pior maneira possível por April, afinal ela contava com Paul para que sua mãe se quer precisasse ficar sabendo que ela estava doente ou mesmo para que ele contasse para ela algo que a própria garota é incapaz de fazer.

Com isso, em meio a sua revolta, April interpreta as últimas atitudes de Paul como uma tentativa de se livrar dela – reflexo de sua personalidade imutável de não querer ser um peso para as pessoas, de achar que pode lidar com tudo sozinha -, e entende que Paul não quis atendê-la na semana anterior justamente por isso.

Como medida para tentar se explicar, Paul acaba lhe falando sobre a morte de seu pai. Em consequência April fica horrorizada de que Paul consiga estar ali trabalhando depois que algo tão ruim tenha acontecido. Interessante notar como Paul não deixa que as pessoas simplesmente se sintam mal por ele, tudo é razão para que elas evitem falar de si mesmas, como um próprio reflexo de Paul em não querer discutir seu pai em frente a estranhos ou mesmo de não deixar que elas se aproximem dele da maneira que ele se aproxima delas. Um comportamento bastante curioso, certamente uma pessoa não consegue ser terapeuta de si mesma, pois nem mesmo ele consegue analisar suas próprias atitudes.

Nota: 9.0

snapshot20090607151836In Treatment (2.23) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

Não importa os problemas pelos quais o pai de Oliver passou em sua infância, se ele tinha um relacionamento difícil com seu próprio pai ou que sua família também tenha passado por uma separação, o que esse cara faz com Oliver é muito triste. Tudo o que Paul lhe disse sobre não querer assumir responsabilidade sobre o garoto é verdade, e não há desculpa em seu passado que sustente o pouco caso com que trata os problemas de seu filho. É realmente cruel ouví-lo dizer que preferia ver seu filho fingindo ser feliz para lhe agradar que mostrando sua revolta com a vida para chamar sua atenção. Só uma pessoa muito egoísta pensaria numa coisa dessas.

E com isso, infelizmente, quem sai perdendo é Oliver, que a cada consulta se sente mais culpado por coisas que estão fora de seu alcance. Se por um lado é ótimo pensar que ele encontrou Paul e tem o apoio do terapeuta para não sair muito machucado dessa infância complicada, é fato que Paul não pode passar o tempo todo ao lado de Oliver e que alguns traumas permanecerão para sempre – dar de cara com coco de cachorro em seu armário não é algo que se esquece tão facilmente -, fazendo com que, quando adulto, o menino acabe repetindo em seu papel de pai, as mesmas atitudes que seu próprio pai está repetindo com ele – sim, pois é óbvio que no fundo o pai de Oliver também só está agindo em reflexo ao conceito de pai que também conheceu na infância, e que não era nada ideal.

Será que estamos fadados a repetir os erros de nosso próprios pais? Será que mesmo tentando se distanciar de tudo o que odiamos em nossos pais, no final nossas atitudes acabam resultando exatamente em uma repetição disso tudo de que tentamos fugir? É muito pessimista pensarmos nisso, pois no fim, tem-se a impressão de que não saímos do lugar, estamos sempre a repetir os erros de alguém, mas parece ser isso que esse episódio de In Treatment tentou provar. Pelo menos vamos esperar que com a ajuda de Paul o pai de Oliver consiga escapar desse ciclo de repetições e ser, finalmente, um bom pai para o pobre garoto.

Nota: 8.5

snapshot20090607151923In Treatment (2.24) – Walter – Quinta, 6:30 PM

Primeiro: sempre é muito bacana conhecermos uma personagem que passamos várias semanas apenas imaginando como ela poderia se parecer. Além disso, conhecer Natalie acrescentou muito à trama, pois nos revelou que o quadro da “boa esposa” criada por Walter não passou de uma grande mentira, pois sua mulher vive em conflitos internos constantes em meio a álcool e clínicas de reabilitação.

De qualquer forma, chamou a atenção nesse episódio a forma como Paul foi seco com Walter. Com um olhar duro e disposto a arrancar a verdade de seu paciente – insinuando que ele realmente tinha tentado o suicídio -, Paul talvez tenha demonstrado uma grande frustração por quase ter perdido outro paciente em suas mãos. Não é difícil imaginar o que se passou em sua cabeça no fim do episódio quando descobre esse grande segredo sobre a esposa de Walter, afinal essa dúvida seria a de qualquer um em seu lugar: eu sou mesmo um bom terapeuta? A quem estou tentando enganar?

A verdade é que Paul, apesar de ter cometido erros no passado – não enxergar os sinais de Alex na temporada passada foi fatal para seu paciente e prejudicial para o próprio médico -, sabemos que ele não poderia ter agido melhor com relação a April ou mesmo em sua teimosia em manter Walter internado por mais alguns dias. Aliás, algo que sempre admirei nesse personagem é esse traço de sua personalidade que o torna uma pessoa bem cabeça quente: Paul não é de levar desaforo para casa. Se ele é capaz de aceitar quando alguns pacientes o tratam desrespeitosamente, ele sempre acaba encontrando um momento para seu contra-ataque, que nesse caso foi a de desafiar Walter – “Quer me processar? Entre na fila” – e mantê-lo sob vigilância por sua própria saúde.

Apesar dos esforços de Paul, precisamos também entender o lado de Walter. Realmente não é fácil passar a vida inteira se dedicando a uma empresa, apenas para ser apunhalado pelas costas praticamente ao final de sua vida profissional. É um golpe muito duro, certamente muito difícil de se superar. A raiva de saber que provavelmente o esforço de uma vida inteira foi em vão, que seu trabalho e dedicação no final não receberam o merecido reconhecimento das outras pessoas deve mais que doer, deve causar o tipo de raiva que pode nos fazer querer matar algum (figurativamente), ou mesmo machucarmos a nós mesmos – seja em uma forma mais branda de estress, ou mesmo chegando a extremos, como foi ocaso de Walter.

Nota: 8.7

snapshot20090607151956In Treatment (2.25) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Após uma semana praticamente focada nos problemas entre pais e filhos, chegamos finalmente ao dia em que Paul divide um pouco dos pensamentos com Gina e conosco. Desde o início da temporada vimos um Paul desorientado, incerto sobre ser ou não ou bom terapeuta, e hoje, com o quase suicídio de um de seus pacientes, o processo que está sofrendo pelo pai de outro, além da óbvia frustração por não conseguir entender e resolver seus problemas com seu próprio pai trouxe à tona novamente essa dúvida. Brilhantemente Gina lhe explica que ele como terapeuta olha a vida dos outros com um binóculo, mas que não pode olhar para a sua própria vida dessa forma.

E essa máxima se aplica não apenas a Paul, ou à profissão do psicólogo, mas a todos nós. Não é sempre mais fácil resolver e entender os problemas dos outros que os nossos próprios? E não é praticamente inevitável que procuremos a ajuda de outros para nos ajudar em momentos difíceis, nem que seja apenas para desabafar? Ao viver sozinho, estar cada vez mais distante dos filhos e com um casamento irreconciliável com a esposa, não é surpresa que Gina seja seu apoio em momentos críticos.

E que bela reflexão sobre o papel dos pais em nossas vidas não foi feito nesse episódio, não acham? Do misto de ódio e amor, construímos esse relacionamento profundo com essas pessoas, ao ponto deles sentirem a nossa presença sem a necessidade de que palavra alguma seja dita. Não tenho certeza de que Paul saiu do consultório de Gina mais reconfortado ou menos confuso do que quando entrou, mas o episódio acendeu uma reflexão maravilhosa sobre a posição de sermos, em algum momento da vida – isso para aqueles que desejam ser pais ou mães algum dia -, tanto frutos da convivência, ou falta dela, com nossos pais e também responsáveis por moldar a personalidade de outras pessoas, pequenas ainda, que mal sabem o quanto a nossa presença em suas vidas irão marcar para sempre a maneira como eles veem o mundo.

Aliás, a aparição do pai de Alex no fim do episódio marcou o encontro de dois homens confrontando dois tipos de perdas diferentes: a do filho que perde o pai (Paul) e a do pai que perde o filho (pai de Alex). Ambos tiveram problemas de relacionamento, Alex sempre se queixou de como seu pai era rígido e frio em sua educação quando criança, já Paul sofre até hoje por não conseguir entender o abandono de seu pai também quando jovem. No entanto isso não impede que ambos sintam amor por seus familiares, e raiva quando alguém supostamente lhes fez mal – sim, pois não acredito que Paul tenha culpa alguma sobre a morte de Alex -, e entre esses sentimentos tão opostos, só lhes restam a confusão: Paul não consegue decifrar a figura misteriosa de seu pai; já o pai de Alex não consegue entender o motivo do suicídio do próprio filho. Parece que há sempre um muro impossível de se atravessar.

Nota: 9.5


In Treatment – Week 4

Junho 8, 2009

snapshot20090607151113In Treatment (2.16) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Após uma semana em que Mia praticamente se ocupou em discutir com Paul sem ter realmente um motivo para isso – ou pelo menos sem conseguir se explicar direito a respeito -, a reencontramos completamente diferente. Com um objetivo mais claro em mente, ela tentou em vários momentos apenas parecer provocativa – lembrando até mesmo Laura em suas narrativas sexuais para provocar Paul.

Só que Paul não poderia cair duas vezes no mesmo truque – até porque Mia não parece causar a mesma impressão no médico que Laura, não é? -, com isso, ele conseguiu escapar das armadilhas e descobrir um pouco mais sobre sua paciente. Ao descobrir e revelar a Mia que ela na verdade só estava repetindo certos padrões de sua infância – como o de tentar, de algum modo, se tornar a preferida de Paul, através, no caso, de lhe contar seus segredos íntimos -, ele conseguiu finalmente estabelecer um ponto com que se apegar e explorar a fim de que sua paciente consiga resolver seus problemas.

Obviamente isso fez com que ela pensasse mais a respeito de seu comportamento, e certamente podemos esperar progressos mais interessantes dessa personagem nas próximas semanas, parece que finalmente Paul conseguiu tocar em um ponto que a fez parar para pensar em si mesma ao invés de continuar atirando acusações contra Paul a todo tempo para se desviar do foco dessas consultas que deveria ser, afinal, ela.

Nota: 8.2

snapshot20090607151210In Treament (2.17) – April – Terça, 12:00 PM

Após assistir esse episódio só me passou pela mente como é difícil ser Paul Weston. Seus pacientes nessa temporada parecem ter como objetivo apenas tirá-lo do sério. Após mais uma semana, April aparece no consultório visivelmente mais abatida e ainda relutante a buscar o tratamento para seu câncer. Ainda por cima, a garota começa a agir como se não tivesse nem um pouco doente, recebendo ligações o tempo todo no meio da consulta, marcando de pegar seu irmão após uma consulta com um médico.

Visivelmente também foi a irritação de Paul, que chegou no limite de sua paciência quando April simplesmente desmaiou no sofá de seu escritório. O que foi interpretado por April como uma tentativa ridícula de se livrar dela, era, na verdade, um ato desesperado de Paul para conseguir salvar sua paciente – justamente porque Paul tem o terrível hábito de se conectar demais com eles. E como ele nunca aprendeu a manter um certo distanciamento – apesar de que nenhum distanciamento permitiria a qualquer um ver uma pessoa morrendo diante de si sem que fizéssemos nada a respeito -, Paul assume aquilo que April esperava de si – uma espécie de figura paterna – e a leva para o hospital para começar o tratamento.

O problema, no entanto, é que ao agir assim Paul abriu uma porta no relacionamento dos dois que deveria se manter fechada. Como esperar que April conte a sua mãe que está doente se todo o apoio de que ela precisa nesse momento pode vir confortavelmente de seu terapeuta? E de que forma Paul conseguirá estabelecer novamente limites de convivência com sua paciente de forma que ela entenda que tal situação é insustentável?

Nota: 9.0

snapshot20090607151319In Treatment (2.18) – Oliver – Quarta, 4:00 PM

Nessa semana tivemos uma sessão mais voltada à mãe de Oliver, Bess, que para o próprio menino – o que na verdade não é tanta surpresa assim, desde sua primeira consulta, ficou óbvio que os pais de Oliver na verdade procuram terapia para si mesmos, não em benefício de seu filho.

Até a metade do episódio, somos apresentados para uma mulher perdida, que não sabe mais qual é o seu papel dentro da sociedade, uma vez que seu casamento acabou e seu papel como mãe sempre serviu de justificativa para que ela evitasse buscar aquilo que sempre quis para si mesma na vida. O que fazer quando se percebe que no fundo tudo não passou de uma desculpa esfarrapada e que é possível ser mãe e ser Bess ao mesmo tempo? Como lidar com o fato de que sua vida tem sido um grande abandono de si mesma em prol da educação de seu filho, que mesmo com tamanha dedicação mostrou ser falha em diversos momentos?

Para Bess, a resposta é um beco sem saída e sua vontade de viajar e se distanciar de tudo isso é um procedimento natural de todos aqueles que sentem o impulso de fugir de seus problemas de alguma forma. Para Paul, porém, esse é o momento certo para ela reavaliar suas próprias escolhas e, quem sabe, recomeçar de novo, agora tendo em foco também os seus desejos pessoais, não apenas os de Luke ou de seu filho.

Por outro lado, ao vermos Oliver complexado, sofrendo para tentar se enquadrar em um padrão de comportamento que agrade seus pais e num esforço que o faça se sentir menos rejeitado na escola (me refiro a dieta maluca iniciada pelo garoto), sabemos que por mais que Bess negue ter pensado apenas em si mesma, o que tem acontecido nessa família é apenas isso: dois pais que não se amam mais, mas que também não conseguem respeitar nova vida íntima de cada um, e que não pensam, em nenhum segundo, no que suas brigas influenciam seu próprio filho, justamente por tratá-lo apenas como um objeto que precisa ser carregado de um lado para o outro pelos dois.

Oliver está de saco cheio e seu desejo de ser adotado só reflete esse desejo de ter pais com que possam contar em momentos difíceis, que sejam menos egoístas que Bess e Luke. Essa atenção, infelizmente, ele encontra em Paul, o que coloca o terapeuta em uma difícil situação de “figura paterna ideal” e, ao mesmo tempo, a última pessoa que deveria assumir tal posição na vida do garoto.

Mesmo assim é inegável que Paul sente muito mais empatia por esse garoto que por seus outros pacientes. Fazer um sanduíche para Oliver pode significar muito mais do que superficialmente pode parecer. Se dividir um café da manhã com Mia era algo que ele não cogitava, dividir a cozinha – exatamente o ambiente mais familiar que qualquer casa pode ter -, e ainda lhe preparar comida é obviamente uma quebra de barreira entre terapeuta/paciente, que irá, cedo ou tarde acarretar em uma situação mais complicada para Paul, afinal, Oliver é muito jovem para enxergá-lo como um profissional, e em seu desespero para ajudar o menino, Paul parece não fazer questão alguma de que Oliver o veja dessa maneira.

Nota: 8.8

snapshot20090607151414In Treatment (2.19) – Walter – Quinta, 5:00 PM

No episódio da semana anterior, Walter estava impaciente e não conseguia se concentrar em sua consulta pois enfrentava um imenso problema em sua empresa. Apenas uma semana depois (uma semaninha!) ele volta a visitar Paul, completamente exausto e visivelmente frustrado por ter sido demitido da empresa pela qual deu sua vida por tantos anos.

O homem que não parava de falar por um minuto chegou no consultório e permaneceu calado. E a falta de assunto –
afinal sempre sua empresa era motivo para desviar Paul de seu verdadeiro interesse: descobrir mais sobre Walter – somado à vulnerabilidade emocional de seu paciente abriu o espaço que o terapeuta precisava para refletir mais a fundo a infância conturbada de Walter.

Com isso, chegamos ao clímax do episódio, com Walter confessando que se sente culpado pela morte do irmão, afinal ele o encorajou a pular daquele penhasco, o que culminou com a sua trágica morte. Que ser humano na face da terra não se sentiria culpado por uma coisa dessas? Paul tentou insistir que ele não foi culpado por isso, mas até mesmo Paul se sente culpado pela morte de sua mãe – mesmo sabendo racionalmente que não foi. Imagino se algum dos dois conseguirá superar suas próprias culpas pessoais até o fim da temporada.

Nota: 8.7

snapshot20090607151524In Treatment (2.20) – Gina – Sexta, 3:45 PM

Mais um episódio maravilhoso dessa incrível segunda temporada. Cada vez mais tenso e decepcionado consigo mesmo, Paul tenta discutir várias coisas com Gina de maneira a tentar fugir do que realmente a terapeuta quer discutir: seu relacionamento com seu pai.

Em um determinado momento, Paul diz Gina que odeia a sua vida, e que por se sentir sozinho, acaba tentando buscar em seus pacientes o tipo de intimidade que deveria vir de sua família. Isso justificaria sua ida ao hospital com April – que o fez lembrar de uma vez com que esteve no hospital com sua própria filha -, ou mesmo de pensar em Mia como uma companheira ideal para si mesmo.

E em sua busca por aquilo que ele precisa, Gina o convenceu de que talvez tentar se reaproximar de seu pai seja uma maneira de conseguir aquilo que ele necessita, pois apenas conseguindo se reconectar com seu pai Paul poderá, de alguma forma, deixar essas questões mal resolvidas para trás e seguir em frente.

Por fim, ele acaba por ir visitar seu pai, e em seu leito de morte, não sabe nem ao menos como começar uma conversa com ele. Acaba por ler a sessão de esportes para ele – o que muitas vezes acaba sendo a única coisa que conecta um pai e um filho, o esporte -, mas acaba percebendo que aquele não é o momento para mais um contato superficial e acaba se abrindo, se desculpando e finalmente percebendo que chegou tarde demais para se entender com ele.

Nota: 9.7


In Treatment – Week 3

Maio 3, 2009

itw31In Treatment (2.11) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Definitivamente Mia é a personagem mais difícil dessa segunda temporada de In Treatment, até mesmo Paul parece fazer um esforço tremendo para tentar entender as atitudes dessa mulher. O que vocês acharam dela chegar completamente alterada, reclamando, entre outras coisas, do fato de que Paul supostamente teria transado com uma ex-paciente, Laura? Eu achei bastante estranho e mal sei o que comentar a respeito, pois não consegui entender metade das atitudes dela e da sua revolta contra Paul sobre o assunto.

É claro que o próprio terapeuta lhe disse que isso era um sistema de defesa de sua própria mente, que direcionava todo seu ódio em outras pessoas para que ela não pudesse pensar em seus próprios problemas, porém, fica a dúvida, por que ela voltou ao assunto no final da consulta mesmo depois de ouvir Paul dizer tudo isso sobre sua maneira de agir? Como Paul falou, Mia é uma paciente que sempre tenta deixar um gancho no final de suas sessões, como que para nos fazer esperar pelo próximo capítulo da novela, o que pode ser uma tentativa, quem sabe, de segurar Paul mais algum tempo na cidade – com medo de que ele se mude novamente -, ao deixá-lo curioso para falar com ela na próxima semana.É óbvio que Paul sempre se mostra interessado por seus paciente não importa o que aconteça, mas e quanto a nós? Será que conseguimos aguentar mais algumas sessões com essa maluca?

Nota: 8.0

itw32In Treatment (2.12) – April – Terça, 07:40 AM

A cada semana as sessões de April vão ficando cada vez mais interessantes mas, ao mesmo tempo, terrivelmente dramáticas: April está ficando sem tempo. Se na sessão passada, Paul tentou se aproximar da garota com uma fala mais mansa e usando apenas sugestões ao invés de ordens para tentar ajudá-la, ver a garota completamente acabada em sua 3º sessão fez com que ele mudasse sua atitude novamente e insistisse enfaticamente que ela começasse logo sua quimioterapia.

Realmente é incrível que após apenas três semanas essa personagem, que tem sido maravilhosamente interpretada por Alison Pill, nos tenha pegado de jeito. Está cada vez mais difícil ver a garota perdendo a batalha para o câncer justamente por não conseguir superar problemas pessoais de longa data – que remontam desde a época em que seu irmão, autista, passou a receber toda a atenção de sua mãe, o que, por consequência, a obrigou a amadurecer muito rápido, pois não conseguia imaginar cobrar de sua mãe mais atenção do que ela poderia dar, já que se dedicava a exaustão a Daniel. Mas ninguém pode culpá-la certo?

Aquela cena em que ela simplesmente caiu no sono por meros 60 segundos foi tão tocante que fica difícil não sentir pena dessa personagem depois de cenas maravilhosas como essa, April é uma personagem tão trágica, se já é dramático para nós, como mero espectadores, assistir a essa história, imaginem para Paul que tem nas mãos a solução para a doença da garota mas simplesmente não consegue fazer com que ela engula esse amargo remédio.

Nota: 9.5


itw33In Treatment (2.13) – Oliver, Quarta, 4:00 PM

Infelizmente as coisas não melhoraram muito para o pequeno Oliver. Mesmo após passar uma semana supostamente tranquila com seu pai, o menino ainda não conseguiu se sentir tranquilo o bastante para simplesmente relaxar e dormir. E isso, claro, graças a seus pai terrivelmente ignorantes sobre o que se passa na vida dessa criança, pois estão sempre mais preocupados em enfernizar um ao outro.

Gostei muito de ver Paul conversando com seu filho pela internet. Enquanto o pequeno falava todo animado com o pai, Paul parecia meio desligado e respondia sempre com poucas palavras ao próprio filho. Não é nenhuma surpresa que no meio do episódio Oliver sugira que Paul seja um excelente pai, já que conseguia escutar seus filhos. Bem, para aqueles que viram a temporada passada da série, irão se lembrar com facilidade de que Paul foi e é, ainda mais agora, um pai ausente, o que mostra como ele tem paciência para cuidar de seus pacientes mas não consegue fazer o mesmo com sua família.

E é isso que eu acho interessante nessa série. Ela nunca tenta transformar Paul em um super-herói, em um protagonista perfeito. Paul, de certa forma, também é como a maioria de seus pacientes, que palpitam com facilidade sobre a vida dos outros como meio de fugir de seus próprios problemas e dificuldades. Já quanto ao pobre Oliver, acredito que ele precisará visitar Paul mais vezes durante a semana para conseguir tirar alguns minutos de sono, pois infelizmente eu não consigo ver nenhuma melhora nas atitudes de seus pais: eles continuam sempre patinando nas mesmas questões, o que, infelizmente, desperta um interesse menor nessa história.

Nota: 8.5

itw34In Treatment (2.14) – Walter, Quinta, 8:00 PM

A sessão de Walter dessa semana deixou um pouco a desejar, entre telefonemas e seu desabafo por todos os problemas de sua empresa cair sobre suas costas, pouca coisa importante foi realmente discutida.

Na semana passada ouvimos uma teoria de Paul de que Walter simplesmente tem medo de que as pessoas, mais especificamente sua filha, o abandonem devido a morte de seu irmão, quando ele ainda era criança, que foi uma situação muito mal explicada e resolvida na sua infância. Com isso, após ouvir Walter dizer que foi até Ruanda tentar trazer sua filha de volta para casa, Paul voltou a sugerir que talvez ele tenha medo que ela se vá para sempre, o que, o sempre turrão Walter é incapaz de admitir.

Então, após 24 minutos de episódio, vemos Walter sair de sua sessão como se não tivesse ouvido nada que Paul lhe falou e mais preocupado em resolver a má fase que sua empresa vem passando, ou seja, teremos que aguardar mais uma semana para ver se essa história vai parar em algum lugar, pois por enquanto Paul tem conseguido poucos avanços com esse paciente, que até então tinha sido um dos meus favoritos da temporada.


Nota: 8.5


itw35In Treatment (2.15) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Mais um excelente episódio entre Gina e Paul. Já em seus primeiros minutos, o episódio nos joga uma série de informações novas que precisamos processar durante o restante do episódio: Paul transou com Tammy – simplesmente ignorando o trato que fez com Gina na semana passada; Paul tem um pai muito doente – com mal de Parkinson, como descobrimos mais tarde; além disso ele tem um irmão, que nunca se interessou muito por sua família ou pelo drama vivido por sua mãe; e, finalmente, nem mesmo Paul ser um terapeuta foi o suficiente para saber como lidar com seu próprio divórcio em relação a seus próprios filhos, que andam com raiva dele sem que ele consiga entender muito bem o porquê.

Certamente temos que admitir que Paul não é exatamente o exemplo de pai perfeito – se bem que até mesmo esse conceito é discutível, pois Walter, por exemplo, que sempre foi um pai atencioso e que dava tudo o que sua filha precisava agora não consegue deixar que ela se torne uma pessoa independente de sua figura. De qualquer forma, desde a primeira temporada sabemos que Paul é um homem que consegue entender muito bem seus pacientes, de sentir empatia por eles, como Gina mesmo lhe disse, com o que ele concordou citando até mesmo April e Oliver como pacientes que ele sinceramente quer ajudar, porém quando se trata de sua própria família ele tem muitos assuntos mal resolvidos.

A novidade agora é saber o quanto sua difícil adolescência – a noção de família que ele experimentou não foi exatamente a mais saudável – influencia hoje sua relação com seus próprios filhos. Espero ver na próxima semana seu reencontro com seu pai e a tal conversa esclarecedora que terá com seus filhos. Aliás, uma coisa que gosto em Paul é que, por mais que reclame em certos momentos, ele sempre tende a concordar com os diagnósticos de Gina no final, o que o torna um dos pacientes mais abertos de toda a série – talvez exatamente por ser terapeuta ele saiba que é importante reconhecer certas verdades de uma vez ao invés de ficar lutanto para ignorá-las.

Por fim foi interessante ver Gina ter surgido com o assunto “Tammy” no final da sessão, meio que mostrando que não há como Paul esconder certas coisas dela e, é claro, também mostrando uma certa revolta por seu paciente ter feito justamente o que ela tinha pedido que ele não fizesse. Já estou curiosa para a próxima sessão de Paul, e vocês?

Nota: 9.2


In Treatment – Week 2

Abril 26, 2009

snapshot20090426010924In Treatment (2.06) – Mia – Segunda, 7:00 AM

Uma semana depois, Mia resolve marcar uma “sessão” com Paul apenas para poder se desculpar pelo vexame da semana passada – em que causou constrangimento a Paul ao acusá-lo por ser responsável por sua vida da maneira que é hoje. Porém, como não poderia deixar de ser, isso foi apenas mais uma desculpa para que ela continuasse a acusar o médico pelas escolhas erradas que fez em sua própria vida também nesse episódio, atitude esta já esperada, de certa forma, por Paul, que fez questão de marcar esse novo encontro em seu território, seu escritório, aonde poderia ter mais controle sobre a situação.

E o que acontece durante a conversa, que Mia recusa a chamar de terapia, é uma grande apresentação a todos os problemas da personagem: chegando ao fim de seu período fértil, ela deseja, mais do que nunca ter um filho, nem que seja com seu amante, e quando ele termina seu affair com ela ao descobrir seu desejo por um bebê, Mia volta-se contra outra pessoa, Paul, e o culpa por tê-la “obrigado” a abordar a criança que esperava aos 22 anos de idade. Apesar de ouvir tanto rancor de sua ex-paciente, Paul não parece nem um pouco surpreso com o que Mia tem a lhe contar. É óbvio que é uma ingenuidade de Mia achar que Paul a pressionou para abortar aquela criança, porém o médico não pareceu fazer nenhum esforço para negar sua participação no caso, inclusive, alguém mais achou estranho Paul não se lembrar de quase nada sobre aquela paciente. Ou melhor, não é no mínimo esquisito que Paul não soubesse, há 20 anos atrás, que sua paciente estava escondendo sua gravidez do próprio namorado e da família? É certo que ela poderia ter mentido para ele na época, mas também é certo que ele evidenciaria ter sido enganado naquela época na sessão de hoje, o que não aconteceu.

O que me parece é que há 20 anos atrás Paul não era tão atencioso com seus pacientes como é hoje, talvez também lhe faltava a experiência que ele ganhou apenas com o tempo. Em outras palavras, aquele não era o Paul que conhecemos hoje. Naquela época ele ainda não era seguro o bastante como médico – o que poderia justificar as anotações que fazia de seus pacientes e deixou de fazer com o passar do tempo –, seu casamento ainda estava funcionando e ele estava prestes a se tornar pai. Seja o que for que tenha acontecido naquela época, teve repercussões no presente, pois Mia quer ser recompensada pelo o que perdeu, quer que Paul pague o preço do que supostamente ele tirou dela: um marido, um filho, enfim, uma família. O que Paul tem a dizer sobre tudo isso? Só vamos descobrir na semana que vem, ou quem sabe na sexta, em mais uma de suas conversas com Gina.

Nota: 8,4

snapshot20090426011023In Treatment (2.07) – April – Terça, 12:00 PM

É preciso muita vocação para trabalhar em uma profissão como a da psicologia: entrar na vida de estranhos a cada momento, compartilhar de seus problemas, guardar seus segredos – muitas vezes não compartilhados com mais ninguém – e ainda ser cobrado o tempo todo por soluções e conselhos não deve ser nada fácil. Sem falar que um médico não pode nunca levar seus problemas pessoais para seu consultório, e foi exatamente isso o que Paul fez essa semana. Em uma atitude totalmente oposta ao da semana passada, ele conseguiu, com muita calma e paciência, ouvir April, perceber que ela continua sem querer iniciar seu tratamento, e mesmo assim não perder a cabeça como aconteceu na última sessão da menina. A mim já é um milagre que ela tenha voltado para um segundo encontro.

Dessa vez, assim como Mia no episódio anterior, ficamos sabendo mais detalhes sobre a vida de April, porém, apesar de ouvirmos ela contar sobre seu problemático relacionamento com o ex-namorado, sobre seu irmão autista e sobre coisas que ela odeia em si mesma e nas outras garotas, um fato permaneceu o mesmo: April demonstrou, novamente, que não consegue pedir ajuda dos outros, o que foi muito bem apontado por Paul quando este lhe perguntou se ela preferia morrer a parecer fraca perante outras pessoas. E turrona do jeito que é, é capaz que Paul demore mais tempo para conseguir que ela confie nele e aprenda a aceitar a ajuda dos outros do que o tempo que April realmente tem para tomar uma decisão – principalmente se ela continuar a não apenas fazer o seu papel mas também não deixar Paul falar sempre tentando deduzir o que ele está pensando sobre tudo aquilo.

Meu destaque nesse episódio, no entanto, vai totalmente para Paul. Alguém percebeu como ele falou manso sobre o tratamento para April dessa vez? Muito diferente da semana passada em que entrou em pânico e disse enfaticamente que ela precisava de tratamento. Acredito que suas palavras na sessão de hoje terão um impacto muito maior que os da semana passada na garota – apesar de que a influência de Paul sobre ela foi estabelecida a partir do momento em que ela entrou no consultório e disse ter contado a alguém que tinha câncer, como Paul havia pedido na semana passada.

Outra atitude correta do médico nesse episódio foi, ao final, tomar notas sobre o que aconteceu naquela sessão – algo que ele deveria ter feito com Alex para evitar ser processado como de fato acabou acontecendo. Isso não apenas lhe permitiu prometer confidencialidade a April, como também demonstra amadurecimento profissional e, mais ainda, que toda sua preocupação com a paciente não é prática ou voltada para seus próprios interesses: Paul realmente se importa com a saúde dessa garota, e quer fazer o possível para salvá-la antes que seja tarde.

Nota: 8.7

snapshot20090426011052In Treatment (2.08) – Oliver, Quarta, 4:00 PM

Confesso que esse episódio focado no menino Oliver me impressionou. Apenas após exatos 11 minutos de conversa entre Paul e o garoto foram o suficiente para eu ficar impressionada com a densidade desse menino e a quantidade de problemas que ele enfrenta diariamente sem se abrir com ninguém. A começar por seu problema para conseguir dormir, que não tinha nada a ver com seu pai receber amigos em seu apartamento no final das contas. O menino está sofrendo tanto por seu alvo de chacota na escola e seus pais estão tão absorvidos um com o outro que Oliver não consegue mais dormir por ficar estressado. E quem não ficaria com dois pais como aqueles?

Se na primeira metade do episódio tivemos todos os temas que preocupam Oliver discutidos com maturidade – o que chega a ser irônico, considerando que ele é apenas um garoto –, o que vimos na segunda metade foi, mais uma vez, os pais do menino se comportando como adolescentes na frente de Paul, brigando por coisas irrelevantes que pouco dizem respeito a Oliver, mas que falam principalmente um do outro, excluindo a presença tanto do garoto quanto do próprio Paul.

Passei por uns bons momentos de raiva quando ouvi a primeira frase do pai do garoto a Paul: “Resolveram o problema? Está tudo certo agora?”, como se a questão estivesse em Oliver, ou a solução em Paul, uma idéia completamente idiota. E o que dizer dessa mãe desequilibrada que distorceu tudo o que Paul disse pois, no fim das contas, não conseguiu superar a separação e subitamente desejava voltar com o marido. Ridículo foi ver as coisas saindo do controle quando ela descobriu que o marido já estava com uma namorada nova, em uma cena de ciúmes patética.

Oliver acabou chateado, e Paul frustrado por não conseguir ajudar o garoto. Também ficaria com aquela cara ao perceber a tartaruga em seu tapete no fim do episódio se percebesse que ao invés de se preocuparem com seu filho, aqueles pais só estão ali para procurar o apoio de Paul nas picuinhas que um tem com o outro – repararam como para tudo eles perguntam para Paul se ele não concorda também?

Nota: 8.8

snapshot20090426011136In Treatment (2.09) – Walter, Quinta, 5:00 PM

Cada episódio que passa dessa semana tem sido melhor que o anterior. O mais fraco até o momento para mim foi o de Mia, e o melhor o de Walter. Foi realmente interessante ver Paul literalmente arrancando as informações vindas de um paciente difícil, impaciente, que teima e o desafia o tempo todo, e mesmo assim chegar a uma conclusão muito plausível para os ataques de pânico do empresário.

Simplesmente adorei todo o processo. Quando Paul começou a vasculhar mais sobre a morte do irmão de Charles, que aconteceu quando ele ainda era pequeno, percebi, graças a interpretação de Gabriel Byrne e da música ao fundo, crescente, que ele tinha descoberto alguma coisa. Daí adiante foi um show ver o doutor conectar todas as peças desse quebra-cabeças fragmentado que é, no fim das contas, toda vida humana e dar o diagnóstico: “Eu não acho que você confia que as pessoas que te deixaram irão voltar algum dia”, algo que foi obviamente recebido com ceticismo por esse difícil, mas não desinteressante paciente.

Porém ao dar o diagnóstico, Paul praticamente fez com que Charles não tenha mais motivo algum para voltar a vê-lo, pois tudo o que ele queria era saber a causa de sua insônia para poder se medicar. É claro que o paciente irá voltar na semana que vem, e será muito interessante ver a desculpa que ele dará a Paul para voltar. Talvez tenha sido mesmo importante Paul demonstrar com uma dura crítica que Charles não permite que o terapeuta faça seu trabalho – aliás é sempre brilhante ver como Paul consegue variar da calma absoluta com April e a filha, por exemplo, e a raiva em momentos mais explosivos, seja com Walter, Gina ou Alex, na temporada passada. Mas será que Charles percebeu de uma vez por todas que Paul é um excelente profissional e que deve ser respeitado por isso?

Nota: 9.0

snapshot20090426011217In Treatment (2.10) – Gina – Sexta, 6:00 PM

Chegamos ao fim de mais uma semana de “tratamento” com um magnífico episódio focado em Paul. Há algo em Paul Weston engraçado e igualmente trágico. Ao mesmo tempo em que eu me divirto com sua rabugice com Gina também me emociono ou no mínimo fico tocada quando vejo o número de questões que ele precisa resolver consigo mesmo para dar rumo a sua vida.

Se por um lado achei divertidíssimo ele bancar a criança em busca de atenção no começo do episódio quando anunciou que não poderá fazer terapia com Gina – só para ficar chocado com a reação completamente indiferente da terapeuta, que já imaginava o propósito de tudo aquilo, claro, quando ela decidiu ir ao shopping ao invés de ouvir o que ele tinha a dizer –, achei muito importante o momento em que ele revela para Gina que, de alguma forma, se culpa pela morte de Alex, afinal, ele estava tão envolvido com Laura na época, que foi incapaz de perceber os sinais que Alex lhe enviou para chamar sua atenção para seu problema – o que, infelizmente, o levou a morte logo em seguida.

Por fim tivemos ouvimos relatos de Paul sobre sua primeira paixão de adolescência, Tammy Kent, justamente uma outra paciente de Gina. Foi tão cruel o que sua mãe fez com ele naquela noite de Natal. Infelizmente são esses erros dos adultos que acabam afetando para sempre a vida de seus filhos, como a vida de Paul, que até hoje se culpa por ter visitado Tammy naquela noite de Natal ao invés de ficar com sua mãe – uma bobagem, já que ele era apenas uma criança, mas como convencer sua consciência do contrário? Foi belíssima essa cena, me emocionou bastante, pois essa culpa parece ser algo que realmente machuca Paul, que o impede de viver com a mente limpa, o espírito livre de qualquer culpa.

Resta saber para quem Paul ligou no final do episódio. Aliás, já ia me esquecendo, que surpresa rever sua ex-esposa no início do episódio, não pensei que isso fosse acontecer nessa temporada, pelo menos não tão cedo, e a revelação de Paul de que Laura irá testemunhar também na questão sobre Alex me faz perguntar se veremos a personagem novamente na história. Espero sinceramente que sim, gostaria muito de ver Paul e Laura se reencontrando novamente, mesmo que a série não precisa trazer seus personagens antigos para ser interessante, em apenas duas semanas essa temporada já conseguiu provar isso perfeitamente.

Nota: 9.4